POETAS DO BRASIL

Blog para divulgar poetas brasileiros e estrangeiros que têm participado das atividades do Congresso Brasileiro de Poesia, realizado anualmente na cidade de Bento Gonçalves/RS, sempre na primeira semana de outubro

domingo, setembro 02, 2012


sexta-feira, julho 20, 2012

MARCO TULIO — O poeta Marco Túlio Schmitt Coutinho nasceu em 1981, na cidade de Taquari/RS. Escreve poemas e contos desde a sua adolescência, suas escritas se relacionam com os pensamentos sobre a vida, imaginação, sensibilidade... Sua família e amigos sempre estão muito presentes, apoiando de todas as formas em seus propósitos; especiais e essenciais em cada momento. O seu primeiro livro de poemas, "Litoral", recheado de metáforas e visões filosóficas, foi lançado em julho de 2008 na festa de comemoração do aniversário de sua cidade. Foi publicado de forma independente em duas edições, numa tiragem total de 100 cópias. Alguns de seus escritos foram publicados em jornais, tais como: O Taquaryense (2º jornal mais antigo do RS), O Açoriano, O Fato Novo e em fanzines de amigos, antes e após a publicação do livro. Entre os trabalhos literários, Marco verte também para a composição de músicas, com uma atmosfera muito etérea e introspectiva. "Estação Zoo", banda da qual ele faz parte, lançou o primeiro disco "Das coisas que ficam", através da internet e da revista mp3 Magazine, no ano de 2006. Com um tom lírico, intimista e envolvente, o escritor se dedica atualmente aos dois romances que pretende lançar nos próximos anos, e à conclusão de seu segundo livro de poemas; todos já com boa parte de sua arte em andamento. Atualmente disponibiliza poemas inéditos, semanalmente postados no seu blog, “Essência Contemporânea”.


MONÓLOGO SECRETO

© MARCO TULIO

Parte de mim é lâmina
Que exposta à luz
Produz hologramas na parede silenciosa da noite...
Nos mistérios da pele ardem sonhos
Riscos crepitados subindo na fogueira
Improvisada pelo sal dos meus olhos
Que se desmancha
Sou a sombra que o bosque esculpe nas vestes turvas do lago
Pra me acompanhar no escuro
Eu me projeto no fundo
E entre as plantas e pedras resguardadas de um sono líquido
Eu permaneço acordado
Mas isolado da falta vil dos desinteressados
Percebo que até os musgos umedecidos tem um sentido
Solitários compõem o abrigo dos espantados
Na sua verde solidão não existe definição para a minha
Os arpões são afiados, dia-a-dia, feito facas de cozinha
Apontados para o vão das costelas que emergem nas águas
O tesouro que procuramos é um baú de mágoas
Mas o sol que ilumina o caminho de crinas torna tudo espelhado
O tesouro é o invisível do que temos guardado, e entregamos...
Como a alma se entrega ao nirvana
Quando se encontra com a sua unidade
Que é a verdade na expansão sob os muros
Lada a lado com a sua metade
Antes de ir... Admiro os corais silenciosos
Ecoando o monólogo nas bolhas de ar que sobem do fundo
De mim... Até parar


segunda-feira, abril 26, 2010

XVIII CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA
LANÇA PROJETO DE ANTOLOGIAS 2010

Dentre todos os projetos desenvolvidos durante o CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA, o que mais vem repercutindo junto à comunidade escolar de Bento Gonçalves é o POESIA NA ESCOLA, que consiste na publicação das coleções “POESIA DO BRASIL” e “POETA, MOSTRA A TUA CARA”.
No ano de 2009, foram entregues para a Biblioteca Castro Alves distribuir às escolas do município 1.800 exemplares dos volumes 9 e 10 das antologias “POESIA DO BRASIL” e do volume 6 da antologia “POETA, MOSTRA A TUA CARA” e a previsão é de que este ano possamos chegar aos 2.500.
A exemplo do ano passado, as antologias serão publicadas com antecedência, para que cheguem às escolas no máximo no início do mês de agosto, possibilitando assim que os alunos possam conhecer um pouco do trabalho dos poetas que vão estar no evento em outubro.
As antologias serão publicadas no sistema cooperativado e obedecerão às seguintes normas:

POESIA DO BRASIL (VOLUMES 11 e 12)
1 -
Custo por participação por volume: R$ 620,00
2 - número de páginas por participantes: 6, sendo 5 com poemas e a restante com biografia e foto do autor;
3 - número de exemplares que cada autor terá direito: 40 além dos 20 que cederá para distribuição por ocasião do lançamento da antologia e para as escolas.

POETA, MOSTRA A TUA CARA (volume 7)
1 - Custo por participação: R$ 240,00
2 -
número de páginas por participantes: 3, sendo 2 com poemas e a restante com biografia e foto do autor;
3 - número de exemplares que cada autor terá direito: 30 além dos 20 que cederá para distribuição por ocasião do lançamento da antologia e para as escolas.

IMPORTANTE:
1 – Pagamento através de cheques pré-datados que deverão ser enviados juntamente com as provas revisadas
2 – A remessa dos exemplares será por conta do autor
3 - O lançamento oficial das antologias será nas noites dos dias 5, 6 e 7 de outubro, dentro da programação oficial do XVIII Congresso Brasileiro de Poesia.
INFORMAÇÕES:
1 – Ademir Antonio Bacca –
adebach@gmail.com
2 – Cláudia Gonçalves -
Cacaugoncalves@gmail.com
3 – Maria Clara Segóbia -
mclsegobia@hotmail.com
4 – Andréa Motta -
andrea_motta@terra.com.br

COORDENAÇÃO DO PROJETO:
ADEMIR A. BACCA e CLÁUDIA GONÇALVES

POETAS QUE JÁ CONFIRMARAM SUA PARTICIPAÇÃO
NO "POESIA DO BRASIL" - VOLUME 11

Ademir Antonio Bacca • Alcides Buss • Alcione Guimarães • Ana Mari Tedeschi • Andréa Motta • Angela Carrocino • Aricy Curvello • Artur Gomes • Astênio Cesar Fernandes • Carpinejar • Cláudia Gonçalves • Cristina Leite • Dalmo Saraiva • Deisi Perin • Diego Mendes Souza • Dinair Liete • Edival Perrini • Ednilson de Paulo • Eduardo Tornaghi • Eliane Justi • Fátima Borchert • Fernando Aguiar • Ferreira Gullar • FlavCast • Geraldo Coelho Vaz • Haidê Vieira Pigatto • Hugo Pontes • Ietive Fianco D'Arrigo • Isabel Sprengher Ribas • Jacqueline Bullos Aisenman • Jair Pauletto • Jiddu Saldanha • Karla Julia • Kathleen Evelyn Muller • Laura Esteves • Lourdes Sarmento • Luiz Eduardo Gunther • Manuel Maria Ramirez y Anguita • Marcelo Marinho • Oscar Bertholdo • Raquel Martinez • Renato Gusmão • Ricardo Reis • Ronaldo Werneck • Rosemari De Gasperi Foppa • Rubens Venâncio • Sérgio Napp • Silvio Ribeiro de Castro • Suely de Freitas Marti • Tanussi Cardoso • Tchello D'Barros • Telma da Costa • Tulio Henrique Pereira • Valéria Borges da Silveira • Walnélia Pederneiras • Wanda Monteiro •


POETAS QUE JÁ CONFIRMARAM SUA PARTICIPAÇÃO
NO "POESIA DO BRASIL" - VOLUME 12

Ada Fraga • Ademir Antonio Bacca • Andréa Lúcia Guarçoni • Benedita Azevedo • Chungtar Chong Lopez • Cida Micossi • Cláudia Gonçalves • Cláudio Cardoso • Deth Hack • Eliene Taveira • EstherRogessi • Gê Fázio • Henriques do Cerro Azul • Heralda Victor • Iára Pacini • Ilda Brasil • Jacqueline Bullos Aisenman • Jaime Katz • Joyce Lima Krischke • Lidia Sirena Vandresen • Ligia Leivas • Marcelo Wallau • Marcia Fernanda Peçanha Martins • Maria Clara Segóbia • Maria Helena Leal Lucas • Marilu Duarte • Marineves Rodrigues • Marlene Henrique • Olivia Paz • Paulo Rodrigues • Poeta Mineiro • Régis Coimbra • Remy de Araújo Soares • Ricardo Carvalho • Rô Lopes & Mércio Moura • Roziner Guimarães • Sandra Almeida • Sérgio Quintian • Sonia Albuquerque • Sonia Maria Grillo • Soninha Ferraresi • Suely de Freitas Martí • Tereza Gondim • Val Bomfim • Vallentine Poetisa Menor • Vânia Gondim • Verluci Almeida • Walnélia Pederneiras •


POETAS QUE JÁ CONFIRMARAM SUA PARTICIPAÇÃO

NO VOLUME 7 DE POETA, MOSTRA A TUA CARA

Ademir Antonio Bacca • Alcione Sortica • Alson Pereira da Silva • Ana Clara Cabral de Souza Cunha • Ana Irene Moraes Silveira • Ana Luiza Conceição • Andréa Lúcia Guarçoni • Brenda Marques Pena • Carlos Reynaldo • Catulo Fernandes • Christiane Ramos Donato • Cláudia Gonçalves • Consolação Soranço Buzelin • Du Carmona • Eliana Cristina Hencklein • EstherRogessi • Evanir Alves • Francisca Fernandes • Jacqueline Bulos Aisenman • Jaime Katz • Jair Pauletto • Janete Maletich • Jucélia Maria Bastos Armos • Jussara Custódia Godinho • Karla Julia • Luiz Eduardo Gunther • Maira Knopp • Marcelo Wallau • Marcia Peçanha Martins • Maria Lenir Menezes • Marineves Rodrigues • Mario Feijó • Neida Rocha • Nelsi Ines Urnau • Oiára Bit • Paulo Rodrigues • Paulo Walbach Prestes • Regis Coimbra • Renato Gusmão • Roger Tavares • Romeu Andreazza • Sandra Almeida • Sérgio Quintian • Sonia Maria Grillo • Soninha Ferraresi • Suely de Freitas Marti • Telma Moreira • Tonha Aleixo • Vany Campos • Varenka de Fátima Araújo • Vladimir Santos • Walnélia Pederneiras •



quarta-feira, abril 14, 2010

KATHLEEN EVELYN MULLER — Nascida em Curitiba, PR, (01/07/1950). Licenciada em Música (FEMP) 1971. Especialista em: Musicoterapia e EED Mental. Habilitação: Neurologia e Terapia da Fala. Atuou no ensino fundamental, médio e superior. Musicista, poeta, compositora, é membro da UBC, AMTR-PR, do Centro de Letras do Paraná, Sala do Poeta da Academia Paranaense da Poesia e do Centro Paranaense Feminino de Cultura. Preletora de palestras, cursos e oficinas continua seu trabalho no afã de despertar o senso humanitário, resgatando os valores pessoais pela conscientização e introspecção que procura gerar através de suas obras literárias e musicais. Obras: Plexo Nexo do meu verso; Isto sim é viver; Rebuscando; Utopia a que preço; Essa trovomania pega; Expressão da Arte Musical; Coleção Leitura Inteligente: Amplie o pensamento; Detone a imaginação; Alegria: Musicalização infantil.

FAZENDO A DIFERENÇA

© KATHLEEN EVELYN MULLER

Somos “músicas” no universo;
Por sutilezas, movidas,
Redigimos cada verso:
... Maestros de nossas vidas!

Regemos a melodia
Com diferentes talentos.
Arquitetando com harmonia,
... Tocamos os sentimentos!

Ressoando nesta bonança,
Em perfeita sincronia,
... Da orquestra, o som profundo,

Jaz mais bela sinfonia
Agora, no palco do mundo:
... Vem fazendo a diferença!


MARI REGINA RIGO — É natural de Porto Alegre. Reside em Canoas, onde atua como professora municipal a mais de 25 anos. Graduada em Letras pelo Unilasalle. Concluiu o Pós Graduação em Leitura e Produção Textual na mesma Universidade, em 2007. Primeira secretária da Casa do Poeta de Canoas, Desde sua Fundação até 2007. Participou da I, II, III e IV Coletânea de Poesia Crônica e Conto da Casa do Poeta de Canoas e organizou, juntamente com mais duas associadas da entidade, a I Coletânea de Poesia da EJA(Ensino de Jovens e Adultos) à partir de Oficinas de Poesias ministradas em três escolas municipais. É integrante do Conselho Municipal de Cultura de Canoas.

SINAIS

© MARI REGINA RIGO

No mundo da poesia
Todos nós somos iguais.
Loucos de amor
Mas só mostramos os sinais.

Nos alimentamos de quimeras
E assim vamos atravessando
Várias eras.

Nascer e viver, sonhar e amar
Lutar para merecer
Crer e sobreviver.

Para dizer que a lua é tua
É só passear pela rua
De mãos dadas com seu amor

As palavras são apenas sinais
De sentimentos iguais
À todos os mortais.

Homem, poeta e trovador.

MARIA SANTOS RIGO — Nasceu em 06/05/1936, em Triunfo- RS e reside em Canoas/RS. Participou do Curso Teologia Popular na Essef- Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana. Co-fundadora e presidente da Casa do Poeta de Canoas. Participou das coletâneas da Capori - Casa do Poeta Rio-Grandense. Como Presidente da Poebrás Canoas idealizou e realizou vários projetos como: a I, II, III e IV Coletânea da Casa do Poeta de Canoas - Poesia Crônica e Conto, em 2003, 2005, 2007 e 2009; “Poesia no Ônibus” com a SMTP - Canoas e a empresa Sogal; Grupo de Teatro da Casa do Poeta de Canoas. Lidera encontros, saraus, caravanas culturais, participação em feiras de livros, entre outras atividades afins.

MULHER, SIMPLESMENTE MULHER

© MARIA SANTOS RIGO

Mulher é aquela
Que leva seu filho na escola
Que ama, trabalha e chora.

Que se alegra a cada vitória.
Faz de uma refeição um banquete
Com um simples pedaço de pão.

Que ao redor da mesa
Com a família unida
Reza uma oração.

Pedindo a Deus
Que nunca falte um tostão.

Pois seus valores são apenas
Amor e união.

MÁRIO CALLEGARO — O poeta José Mário Callegaro nasceu em Jaguari, RS, no ano de 1961, mas vive em Rosário do Sul com seus familiares, atuando como empresário do setor de alimentos. É formado em Educação Física pela Universidade Federal de Santa Maria mas desde a juventude cultiva o hábito da leitura e amor pelas letras, especialmente a poesia. Escreve seus poemas que já foram publicados na coletânea dos poetas de Rosário e participa como associado da Poebras Rosário do Sul, a Casa do Poeta Rosariense. Neste momento apresenta duas poesias de sua autoria.

A CIDADE DE OURO (LOPPIANO)

© MÁRIO CALLEGARO

Despontou na colina
a cidade de ouro
Cada um que ali vinha
era pobre
só tinha consigo
sua vida
Mas a lei da cidade de ouro
dizia que a vida devia perder
E quem dava sua vida sem nada pedir
ganhava mil vidas
e a cidade de ouro crescia...
A lua tornou-se mais clara
O sol com seus raios tornava mais bela
a cidade de ouro
No silêncio da noite ouvia-se o murmúrio
era o vento
passou sibilando entre as casas de tábuas
também ele queria saudar
a cidade de ouro
e a cidade de ouro crescia...
Quem ali se hospedava
saía tocado com a dança
com a música leve que via espontânea
nos rostos contentes
E assim, a cidade de ouro
crescia , crescia, crescia...
A colina que era pequena
tornou-se montanha.


MÁRIO FEIJÓ — É artista plástico e escritor: tem dois livros na praça... 2007 - PERMITA-SE... 144p. Ed. Secco com poemas e o de 2009: Os Filhos da Enxurrada, 160p. também com poemas e vinte desenhos ilustrados (em grafite). Em julho de 2009 lança em Portugal pela World Artes Friends Design o livro de poemas A Magia do Amor. Participa ainda da Antologia dos Escritores do Litoral Norte, através da Academia dos Escritores do Litoral Norte do RS (no prelo); Antologia Dellicatta IV/Itaú cultural (no prelo e será lançada em set./09); Caderno Literário, v. I, Sandra Veronese (org.), Ed. Pragmatha, Mário Feijó. As borboletas não deixam marcas nas flores, p. 95, 2008, 140p.; Caderno Literário II (no prelo); Poetas Del Mundo em Poesias V. I, Ed. Gibim, Campo Grande, 2008, 207p.; Poetas Del Mundo V.II. Ed. Gibim, GRUPO AGUIA, I ANTOLOGIA, Porto Alegre; Poeta Mostra a tua cara, Antologia do XVII Congresso Brasileiro de Poesia, Bento Gonçalves, out. 2009, entre outros...

SENHOR DOS VERSOS

© MÁRIO FEIJÓ

Era tão belo aquele menino
Alma de criança travessa
Que pulava sobre pedras
Transformando-as em versos...

Em meus sonhos por vezes
Ele se torna um deus grego
E com sua cítara sai por aí a fazer versos
Ao mesmo tempo em que flecha corações...

Não queria acreditar em seu poder, o menino,
Tampouco sabia ele que produzia pérolas
Encantando a todos – alguns dos simples mortais
Transforma ele em estátuas de mármore...

Quisera eu poder transformar o encanto
Correr pelas ruas em pranto e perdoá-lo
Foi-se embora o menino... fez-se homem
E levou todos os meus versos...


MARLY FELICIANO TAMANI — Nascida na cidade de Marília, interior do estado de São Paulo, em 30/06/1941. Vim para São Paulo, capital no ano de 1963 e aqui me radiquei no bairro do Ipiranga onde me casei. Formação superior na área de humanas, funcionária pública da subprefeitura do Ipiranga na área administrativa desde 1990, participante ativa em atividades culturais do bairro onde exponho meus trabalhos em bibliotecas, casa de cultura, "Céu Menino", e saraus em casa de amigos. Comecei a escrever pequenos textos e algumas poesias ainda quando adolescente, fase de muitos sonhos e esperanças, que ainda conservo. Possuo por volta de 300 textos, entre artigos, contos, frases, pensamentos, duetos, acrósticos e outros. Membro da CAPPAZ, confraria de artistas e poetas pela paz, como Presidente Seccional São Paulo desde 2008. Site onde também publico meus textos:
www.marlyftamani.recantodasletras.com.br

À SOMBRA DA SAUDADE

© MARLY FELICIANO TAMANI

Veio no entardecer daquele dia,
chegou arredio e meio calado,
em seus lábios eu pressentia
um sorriso tímido disfarçado

me olhou como se olha o mar
como se visse somente o infinito,
transparecia saudade no olhar,
imenso carinho no rosto bonito

me abraçou em delirante procura,
na avidez de corpos em tormento,
como se aquilo não fosse loucura

e ali à sombra daquela saudade
intensamente vivemos o momento,
sem pensar se o amor tornaria verdade

NEIDA DA COSTA ROCHA — Nasceu na Vila Harmonia, em Canoas/RS, no dia 1º de fevereiro de 1954. Aquariana com ascendente em Peixes. Filha de José Lopes da Rocha e Tereza da Costa Rocha, criada entre dois irmãos (Nei e Sidnei). Sua adolescência foi diferente da maiorias das meninas, pois em 1966, aos 12 anos sofreu queimaduras de 1º, 2º e 3º graus e em conseqüência, parada cardíaca,o que deixou cicatrizes em seu corpo e sua alma. Aos 18 anos foi Rainha do Colégio Comercial Protázio Alves. Na Páscoa de 1973 seu irmão (Nei) passa pela transição. Aos 19 anos iniciou a Faculdade de Nutrição (Unisinos/RS) o que interrompeu para casar. Em 1977, grávida, mudou-se, com o marido, para Blumenau/SC. Em 1978 deu a luz ao seu primeiro filho, Oliver Ney. Em 1980 escreveu poema PÁSCOA em homenagem ao irmão falecido. O poema foi publicado no Jornal Correio do Povo (Porto Alegre/RS), iniciando assim, sua vida literária. Em 1987 deu a luz ao seu filho, Otávio Luis. Aos 45 anos retomou os estudos, aos 50 anos concluiu a Faculdade Letras (Português/Inglês) e aos 53 Pós Graduação (Língua Portuguesa) - FURB/SC. Eterna Buscadora, é Rosacruz, foi Mestre e Monitora Regional em SC. Em 2000 sua mãe sofreu um AVC e perdeu o movimento do lado direito do corpo e 80 % da fala. Em 2006, os pais visitaram a filha para o casamento de Oliver. Seu pai, que cuidava de sua mãe, passou pela transição, em Blumenau, 5 dias antes do casamento do neto. Em 2007 abandonou um casamento de 32 anos e por isso alterou seu nome literário (Neida Wobeto). Após 30 anos residindo em SC, retornou a sua terra Natal e alia as tarefas de cuidar da mãe com a prática literária.

SOLIDÃO COLETIVA

© NEIDA DA COSTA ROCHA

A Humanidade está Só...
O Ser Humano carente
grita por socorro.
A solidão contagiou o Planeta.
O grito silencioso
ecoa pelo Cósmico,
abafando a Música das Esferas.
O Sistema cria seres doentes
para depois receitar calmantes.
Os Pensadores estão morrendo.
Os jovens estão dormindo,
acalentados pelas drogas.
Os alunos são “formados” pelo Sistema,
sem questionamentos,
vítimas da Matrix Social.
A certeza da Morte
é camuflada
pela incerteza da Vida.


NELSI INÊS URNAU — É escritora em vários gêneros. Sócia da Casa do Poeta de Canoas e da UBE. Premiada em diversos certames literários e participante de várias antologias, possui 4 obras individuais editadas: Romance “Loucos não insanos”; opúsculo “In quietude”; e os infantis “Zé Toquin” e “Cecília e Amigos”. Em edição o Romance “Asas Livres”, vencedor do Prêmio Álvaro Maia de Manaus/2008.

BUSCAS

© NELSI INÊS URNAU

Busquei lá fora, um dia,
uma vida inteira...
Busquei sem saber,
o que mesmo eu queria...
Busquei e corri mundos,
travessias, desertos profundos,
tantas realidades, tantas verdades
não parei de procurar.

Busquei cá dentro um coração
e não consegui defini-lo...
Não sei o que é
a alma, o espírito.
Caminhei léguas sem fim
e me perdi de mim...

Ainda caminho,
navego, vôo, corro,
paro, descanso, medito...
Contudo,
ainda a incerteza
de ter, um dia,
tudo o que busco e que busquei.

RAUL POUGH — É um poeta paranaense, de umbigo pontagrossense e alma gaudéria. Apaixonado pela literatura minimalista, sua praia são os poetrix, os haicais, os tercetos, os dísticos, os epigramas e as combinações de tudo isso. Poemínimo, textículo, poema-minuto, poema-miojo, não importa o nome que se dê a estes escritos onde o autor usa e abusa dos vícios e figuras de linguagem, especialmente da ironia, das metáforas, dos trocadilhos, beirando - quase via de regra - a marginalidade. Seus textos são breves, precisos e certeiros - a marca da concisão. Como diria Cláudio Feldman, para ler na escada rolante. Já tem um livro lançado (2008), o “SÍNDROME DE HIPOTENUSA - Poemínimos” e também publica seus textos na internet e antologias. É superfã de Paulo Leminski.

OVERBOUQUET

© RAUL POUGH

deixou as três
esperando no altar; e
voou para sevilha


RÔ LOPES — Meu nome é Rosângela Lopes Bezerra, sou uma pessoa simples, guerreira, amante da natureza da arte e das letras.
Sou formada em Administração Publica e de Empresas pela Faculdade Anhanguera de Ciências Humanas e Letras (Especializada em Administração Pública). Após um tempo senti necessidade de realizar o meu sonho – ser advogada. Fiz o curso de direito pela Universidade Católica de Goiás (Pós-graduada em civil e processo civil , Direito Eleitoral e especialista em Direito do Consumidor) Abracei com carinho este oficio de operária do direito e é com de paixão e ética que milito até hoje. Amo a arte e a poesia... Escrever é um presente dos céus. Tudo que vivi, vivo e presencio em vivencias outras, lanço no papel. Tudo que vem na alma eu pego meus companheiros (uma caneta com tinta preta e uma caderneta) e vou soltando as palavras.
Fui agraciada em ter por ter alguns textos publicados na Antologia Alimento da Alma, sou membro corresponde da AILA – “Academia Itapirense de Letras e Artes” e diplomada na coluna Destaque 2008/2009 como escritora e poetisa, intitulado “Estas Mulheres Maravilhosas” e “Personalidades” na cidade de Taubaté-SP, berço de Monteiro Lobato. Quero prosseguir neste mundo literário... É meu sonho... É um lirismo... É uma vida Minha nova história começa aqui. Uma escritora/poetisa.

DIVAGANDO TERNURA

© RÔ LOPES

Elevei meus olhos
Que divagaram pelo infinito
Tentando inspirar de
Uma única vez
Toda ternura das estrelas

Fui tocada por sublime
Brisa com perfume de
Alecrim

E envolta no clarão da lua
Entreguei-me ao momento
Que eternizou em
Minutos sem fim

Tão amada senti...
Que a solidão que
Tanto atormenta
Junto ao pássaro
Do amor que acalenta
Desfrutou deste
Carinho junto a mim


ROSÂNGELA DA SILVEIRA COELHO — Nascida em Curitiba/PR aos 21/04/1959, é formada em Matemática pela PUC/PR em 1988. Exerceu diversas atividades administrativas. Aposentada pela Caixa Econômica Federal em 2006. Atualmente faz trabalhos em arte digital como web designer, paixão que floresceu a partir de 2003. É a editora e responsável pela criação de arte digital do site www.cappaz.com.br
Não é uma poetisa, escreve apenas quando seu coração assim o quer.
Recebendo incentivo de pessoas com muito talento, como J.Jota, Regina Coeli e Joyce Krischke, decidiu publicar seus textos.

ESTOU ENAMORADA

© ROSÂNGELA DA SILVEIRA COELHO

Estou enamorada...
Enamorada pela lua,
pelo sol e mar
Enamorada pela vida.

Estou enamorada
Pelo olhar amigo
Pela beleza da flor
E em seus braços me abrigo
Transbordando amor

Encantos do infinito
Me aquecem o coração
e assim me transportam
Para um mundo de emoção

Estar enamorada traz paz
Traz alegria e contentamento
Nos une na magia do amor
E num só pensamento

ROSANGELA DE OLIVEIRA SANTOS — 39 anos, natural de São Caetano do Sul – SP. Formação na área de informática, curso Superior em Tecnologia em Informática (Análise de Sistemas) pela FIAP Faculdade de Informática e Administração Paulista. Cursou disciplinas na área de exatas do curso de Mestrado em Biotecnologia pela UMC – Universidade Mogi das Cruzes em 2005 e 2006. No espaço Haroldo de Campos de Literatura e Poesia – Casa das Rosas participou de grupos de poesia, curso de férias de literatura alemã Gotte e Schiller. Possui cursos extra curriculares na área tecnológica / administrativa e outros dentre eles literatura Português/Inglês e idiomas espanhol e alemão; música e visa a educação como um dos fatores principais para o desenvolvimento e progresso de uma nação.

UIRAPURU

© ROSANGELA DE OLIVEIRA SANTOS

Minha alma chora como cascata
Num torrencial de amor
Como o doce cântico do
Uirapuru
Que versa fortemente em seu
Canto nas matas
A saudade de quem muito
Amou


RUY BERRIEL SOARES — Nascido no ano de 1929 em Rosário do Sul, filho de Fabiano Berriel e Amélia Berriel Soares, casado com Núria Prates Berriel, pai de Rogério Prates Berriel e Luciana Prates Berriel. Concluído o segundo grau, fez curso técnico de Contabilidade na escola de Comércio Visconde do Mauá em Rosário do Sul. Ingressou no Banco do Comércio, em 1950, onde trabalhou até 1955, quando pediu demissão para trabalhar no Banco da Província, em Porto Alegre, na matriz, onde ficou durante 2 anos até conseguir transferência para a filial de Rosário do Sul. Em função da fusão dos bancos aposentou-se por tempo de serviço em 1977, pelo banco Sulbrasileiro. Uma vez aposentado dedica seu tempo, além das tarefas indispensáveis, ao saudável hábito de leitura de conteúdos diversos, como ficção, poesias, crônicas, contos e outros gêneros literários. Passa então a escrever, tendo preferência por versos rimados e poesias temáticas. Participou do livro antologia poética Poetas de Rosário do Sul e do volume 6 de Poeta, Mostra a Tua Cara. É colaborador do jornal Folha Rosariense. É filiado na POEBRAS Rosário do Sul, a Casa do Poeta Rosariense, onde participa de eventos literários.

LEI UNIVERSAL

© RUY BERRIEL SOARES

Os galos estão cantando
É o raiar de um novo dia
Para uns é o fim da linha
Para outros a vida inicia.

Os galos estão cantando
Um novo dia vem raiando
O mundo sempre girando
E a vida se renovando.


VARENKA DE FÁTIMA ARAÚJO — Nasceu na década de 50, formada em Direção teatral pela Universidade Federal da Bahia, cursou licenciatura em Desenho na Escola de Belas Artes da UFBA. Professora de teatro aqui e em 1984 no Panamá. De volta ao país amado, trabalhou como figurinista de Escola de Teatro, onde fez inúmeras maquiagens, figurinos e adereços. Participou de varias exposições coletivas e individuais, teve participação no IX Salão Fasc de artistas plásticos em Aracaju-Se. Nos últimos dez anos como figurinista da Escola de Dança da UFBA. O artista plástico faz poesias, seguindo este gênero publiquei poesias no jornal Lê Baguette da Aliança Francesa, colaboradora literária da revista cultural Artepoesia. Este ano participei do livro Ecos Machadianos, coletânea verso e prosa, tive participação com a poesia Salvador no Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus. Tenho duas poesias na Antologia Delicatta IV prosa e verso.

MEU POVO

© VARENKA DE FÁTIMA ARAÚJO

Escuta, preste atenção
Ainda que especule meu coração
Ainda que a noite me examine
Encontrarás um imenso amor

Pelo pulmão que é Amazonas
Que é nossa, devemos preservar
Pelo nossos irmãos da região árida
Que imigram para outras ricas
Oferecendo mão de obra a erguerem Brasília

Pelos nosso São Paulo que é o coração
Pulsando no chamamento por nossos irmãos
Onde acontece tudo para o engrandecimento
Pelo Rio Grande do Sul com sua beleza
No progresso e ordem pelo Brasil


VLADIMIR CUNHA SANTOS — O poeta Wlady -Vladimir Cunha Santos – nasceu em Rosário do Sul, RS, em 1964. Iniciou sua carreira nas letras em 1979, colaborando em jornais locais e regionais, e escreveu seu primeiro livro em 1980, quando estudava em Pelotas. Cursou o Magistério e começou estudos de Letras na Unisinos. Durante 3 décadas fundou e dirigiu vários jornais periódicos nas cidades da fronteira-oeste do RS, atuando como repórter, colunista, publicitário e administrador. Viajou por vários estados do Brasil e países como Portugal, Espanha, França, Argentina e Uruguai, na busca de novos conhecimentos e experiências. Colaborou com sua comunidade atuando como dirigente de entidades empresariais e culturais. Exerceu o cargo de Secretário Municipal da Indústria e Comércio de Rosário do Sul. É membro da Casa do Poeta Riograndense e da Poebras, sendo fundador e presidente da Casa do Poeta Rosariense. Possui o blog http://wlady.zip.net

DISPLICÊNCIA

© VLADIMIR CUNHA SANTOS

Tudo que penso é momento
momento de divagação
tudo que sinto é tormento
tormento da percepção.

Mundo... complexo abstrato
Vida... absurdo evolutivo
Morte... lucidez inconsciente
Amor... sexo iludido.

Tudo que penso é presente
Futuro é imaginação incerta
Passado é retornar o momento ausente.

Tudo que sinto e contemplo
Tudo que paira na mente...
Mero acaso displicente.


TEREZINHA MANCZAK — Tecelã, poeta, cronista e produtora cultural. Mora em Blumenau, SC, Brasil. Faz parte de várias coletâneas nacionais e é autora dos livros "Resgate da Emoção" (esgotado) e "Céu de Sagitário - Antes e Depois da Paixão". Editora do Projeto Palavras Azuis, Antologia em Prosa&Verso, já no quinto volume e da Revista Palavras Azuis, veículo de divulgação cultural. Sócia fundadora da Sociedade Escritores de Blumenau, sendo a atual vice - presidente. Autora do Portal CEN, foi vice - coordenadora do 3º Encontro de Escritores Luso-Brasileiros, Blumenau SC/ em 2008. Pertence também à Rebra e é Cônsul de Poetas del Mundo de Santa Catarina.

DE HUMANOS E DEUSES

© TEREZINHA MANCZAK

o sangue verte
aragens
vertigens
plasma e memória
dos tempos

timbrados papéis
calendários
vaivém dos ventos
tempestades
silêncios

carne impressa
em ventania
lentidão
ruídos e
cordames podres

ossos e hóstias
repartem o corpo
nervos estilhaços
construção
contemplação e ócio

II

inda não é hora
de acordar os deuses
cá na terra
comemos o barro dos dias
pecamos
orgásticos e pobres
caminhamos
para o nada

não sabemos prover
o vazio das lacunas
cegamos o sol
com a beleza pragmática

de maneira
inverossímil
suburbana e tática
agonizamos
sob o tédio das heranças
e a mesmice prática

III

tudo é vão, tudo é via,
por sobre os muros ,
a laje inerte das precariedades
ousamos silenciar
quando o grito é tudo
somos fracos e míopes
num país de surdos.

IV

mornos e úmidos
como a boca da noite,
engolimos as horas
de um vidro quebrado,
espelho partido.

V
procuramos respostas,
o verso perfeito,
descobrimos:
nada tem sentido,
contrário,
quando assumido.


ESTHER FUJISAWA — Poetisa gaúcha, filha de Walter Sant’Anna Nunes e Haydée Moretti Nunes. O pai, poeta, jornalista e funcionário público, e a mãe, professora, muito a incentivaram ao mundo das Letras. Esther é poliglota, estudou vários idiomas: inglês, francês, árabe, italiano, japonês, espanhol, além de latim e português. Participa de mais de trinta obras. É ativa participante da Alpas XXI, da Casa do Poeta Rio-grandense, da União Brasileira de Escritores, da Associação de Escritores e Jornalistas do Brasil, da Casa do Poeta de Esteio, o Grêmio Literário Castro Alves, da Academia de Ciências, Artes e Letras Castro Alves, da Fundação de Educação e Cultura do Sport Clube Internacional, da Academia Literária Gaúcha, do Museu Carlos Gardel, da Confraria do Bolero e do Pátio de Tango. Em 2003 recebeu o “Troféu Bandoneón”. No Japão tem contato com o Hai-Kai e participa do Festival de Tanabata em Hiratsuka. Integra a Casa do Poeta de Espanha. Confraterniza com poetas em Londres e Paris. Em 2005 foi indicada para ser a cônsul da Nicarágua no RS. Em 2006 foi elevada a Consul do Movimento Poetas del Mundo pela embaixadora Delasnieve Daspet. Em 2008, organiza o concurso Poesia no Ônibus na cidade de Esteio, juntamente com o poeta Jauri Machado.

CABIDE

© ESTHER FUJISAWA

Sob a luz do leste
Vi descer tua sombra
Claro-escura
Desajustada

Fio de sangue esquecido
Que almas acanhadas
Bebem, escondidas na noite

Verdades-mentiras
Inconstância,
Suprema sabedoria
Ombros carregados
Benditos fardos

Espesso vulcão de silêncios
Derrama a lava da vida
Sobre
Os ombros da morte.

terça-feira, abril 13, 2010

JANETE TEREZINHA NODARI FRACALOSSI — É natural de Bento Gonçalves, onde nasceu em 26 de novembro de 1958. Formou-se em Letras pela Fundação Educacional da Região dos Vinhedos. Publicou, em 1993, “Fendas da Paixão”, volume 17 da Coleção Prata Nova. Participou, em 1995, da Antologia bilíngüe “Presença de Itália”. Recebeu inúmeras premiações em concursos literários, entre eles: Concurso Universitário de Literatura da FERVI, Concurso de Contos, Crônicas e Poesias, da Secretaria de Educação e Cultura de Bento Gonçalves, Concurso Literário Mansueto Bernardi, da Prefeitura Municipal de Veranópolis, Concurso de Poesias Oscar Bertholdo, da Prefeitura de Carlos Barbosa, Concurso Nacional de Poesia em Homenagem a Ayrton Senna, do Instituto de Poesia Internacional de Porto Alegre, Concurso Literário Sementes e Vitórias de Bento Gonçalves, alusivo aos 125 anos de imigração italiana, Concurso Storia Nostra, do Jornal Pioneiro e Festa da Uva de Caxias do Sul. Publicou regularmente seus poemas na revista Enfoque e no Jornal Garatuja. De seus escritos disse o poeta Oscar Bertholdo: “têm o necessário jeito de uma paisagem, nela vemos muito da vida que nos cerca, vemos muito dos sonhos que nos restam”.

MEU TEMPO

© JANETE TEREZINHA NODARI FRACALOSSI

Meu tempo é de ser um vale
Alimentando estações,
Madurando frutos
de um pomar de ilusões.

Meu tempo é de ser um rio,
despretensioso,
Que, à noite,
Tem olhos,
Mãos e boca desalinhados.

Meu tempo é o feminino.
O corpo é um livro.
O poema, semente.

MARCO TULIO — O poeta Marco Túlio Schmitt Coutinho nasceu em 1981, na cidade de Taquari/RS. Escreve poemas e contos desde a sua adolescência, suas escritas se relacionam com os pensamentos sobre a vida, imaginação, sensibilidade... Sua família e amigos sempre estão muito presentes, apoiando de todas as formas em seus propósitos; especiais e essenciais em cada momento. O seu primeiro livro de poemas, "Litoral", recheado de metáforas e visões filosóficas, foi lançado em julho de 2008 na festa de comemoração do aniversário de sua cidade. Foi publicado de forma independente em duas edições, numa tiragem total de 100 cópias. Alguns de seus escritos foram publicados em jornais, tais como: O Taquaryense (2º jornal mais antigo do RS), O Açoriano, O Fato Novo e em fanzines de amigos, antes e após a publicação do livro. Entre os trabalhos literários, Marco verte também para a composição de músicas, com uma atmosfera muito etérea e introspectiva. "Estação Zoo", banda da qual ele faz parte, lançou o primeiro disco "Das coisas que ficam", através da internet e da revista mp3 Magazine, no ano de 2006. Com um tom lírico, intimista e envolvente, o escritor se dedica atualmente aos dois romances que pretende lançar nos próximos anos, e à conclusão de seu segundo livro de poemas; todos já com boa parte de sua arte em andamento. Atualmente disponibiliza poemas inéditos, semanalmente postados no seu blog, “Essência Contemporânea”.

MONÓLOGO SECRETO

© MARCO TULIO

Parte de mim é lâmina
Que exposta à luz
Produz hologramas na parede silenciosa da noite...
Nos mistérios da pele ardem sonhos
Riscos crepitados subindo na fogueira
Improvisada pelo sal dos meus olhos
Que se desmancha
Sou a sombra que o bosque esculpe nas vestes turvas do lago
Pra me acompanhar no escuro
Eu me projeto no fundo
E entre as plantas e pedras resguardadas de um sono líquido
Eu permaneço acordado
Mas isolado da falta vil dos desinteressados
Percebo que até os musgos umedecidos tem um sentido
Solitários compõem o abrigo dos espantados
Na sua verde solidão não existe definição para a minha
Os arpões são afiados, dia-a-dia, feito facas de cozinha
Apontados para o vão das costelas que emergem nas águas
O tesouro que procuramos é um baú de mágoas
Mas o sol que ilumina o caminho de crinas torna tudo espelhado
O tesouro é o invisível do que temos guardado, e entregamos...
Como a alma se entrega ao nirvana
Quando se encontra com a sua unidade
Que é a verdade na expansão sob os muros
Lada a lado com a sua metade
Antes de ir... Admiro os corais silenciosos
Ecoando o monólogo nas bolhas de ar que sobem do fundo
De mim... Até parar


SILVIA BENEDETTI — Nasceu em Varginha-MG. Advogada, Ativista Cultural, é, pela sétima vez, Presidente eleita do Grêmio Literário Castro Alves, onde criou o Encontro da Saudade, Concurso Nacional de Sonetos, Concurso Poetas da III Idade, Troca-Troca de livros usados, Festival de Poesia Falada, Poemarte, etc. além do Boletim Informativo “Vereda Cultural”. De sua autoria, tem os seguintes livros publicados: “Quase Miragens”, (poesia) e “De Stack para a Terra” (infanto-juvenil). Para publicar: “O cavalo Alado”, “A menina Borboleta” e “Alfabeto em Versos”, todos de literatura infanto-juvenil, além de novas opções, poemas e outros. É trovadora e repentista além de realizar palestras literárias. Premiada em prosa e verso, tem inúmeros trabalhos formatados por suas amigas virtuais. Organizou: “Presença da Itália”, (bilíngüe), “Confidências Mineiras”, os três volumes de versos “Diversos” e vários volumes comemorativos do GLCA.

CASARÃO

© SILVIA BENEDETTI

Nas madrugadas insones
casulos de luz
ornavam folhas e flores
no quintal do casarão!
Na semi-escuridão,
sob o semáforo da lua
os atentos olhos de noite que findava,
silentes velavam
CONFIDÊNCIA MINEIRAS
sussurradas entre paredes caiadas.
No casarão,
homens austéros teciam os sonhos:
“LIBERDADE AINDA QUE TARDIA”,
enquanto o lampejo vivo da esperança
faiscava em seus olhares vítreos.

No casarão
de mineiras tradições
a sina de alguns
criou fatos, gerou atos
que fizeram a história de todos nós.

RACHEL MARTINEZ — Nasceu em Montevidéu, Uruguai. Dedicou 35 anos de sua vida à Docência. Especializou-se em Pré –escolar , onde ocupou, por concurso, o cargo de professora e diretora. Aposentou-se em 2000 como Inspetora-Supervisora na sua especialidade. Escreve desde sua infância e começou a publicar mais adiante num jornal. Em 1986 publicou seu primeiro livro:”Por tus raíces... mis alas”. Depois vieram: “Cuatro soles” (1987 1ª edição -1989, 2ªedição), “Dos lunas nuevas” (1988), “Via Láctea” (1989), “Desempolvando estrellas” (1993), “Esa gota de sangre charrua” (1994), “Uma borbuja de ilusión” (1995, traduzido para o português e francês), 1996. “Artigas, presencia entre nosotros” (1996), “Páginas de mi rosa” (2004), “Verano em celo” (1ª edição México, 2ª ediçãoUruguai) e “Vino derramado” (2007). Em preparação tem a novela Transmutaciones. Os livros editados estão dedicados ao público infantil e adolescentes, à exceção dos 4 últimos.
A autora recebeu numerosos prêmios pela sua narrativa e poesia dentro e fora de fronteiras uruguaias. Integrou e integra diferentes júris de certames literários do meio e prefaciou e apresentou livros de autores nacionais e estrangeiros. É presidente do Centro Hispano Americano de Artes e Letras, instituição que há 35 anos trabalha pela cultura do seu país. Organizou encontros internacionais de Artes e Letras em 2003, 2005 e 2007 no Uruguai, tendo ao seu cargo a compilação dos poemas estrangeiros em “Las voces del mundo” ( I, II e III) e as antologias “Navegando cielos de América” (2004) e “Navegando cielos del mundo” (2007) Participou de Congressos, Seminários e Encontros Literários no Uruguai, Argentina, Brasil, Paraguai, Cuba, México e Chile.

MODELA MI CÁNTARO

© RACHEL MARTINEZ

Tu viento ulula hambriento
y estremece mis ramas,
despertando los brotos dormidos.
Osadas caricias que desnudan
de la copa a la raíz.
Así quiero vivir, viento alfarero,
modela mi cántaro,
que en él quiero contener
tu suero vital.


segunda-feira, abril 12, 2010

JAIR BARBOSA — Nasceu em Vitoria, ES, morou em Governador Valadares e desde 1984 está radicado em Belo Horizonte. É poeta, bibliotecário. Coordena o Sarau de Poesia para o Corpo e a Alma, em Betim, Minas Gerais. Estreou na literatura em 2003 com o livro de poemas “Gomo de Tangerina” editado pela Anome Livros, Belo Horizonte.

EXÍLIO

© JAIR BARBOSA

de como depois de banido
fui me arrastando a uma terra estranha
de como sem perceber fui parar no olho
do furacão
e deu-se a compreensão acerca da folha que gira
e o seu movimento
mesmo com a legião de demônios solta no asfalto
a freada brusca os estampidos e o corpo estendido
não sei explicar.
escrever sob a violência
e transformar pedras numa torre de vigia.
mesmo sem anjos
mesmo sem beleza
mesmo sem paraíso...
dorme a minha parte mais sombria

EZI ASSUMPÇÃO — É natural de Jaguari, RS, mas vive nas margens da praia das Areias Brancas, em Rosário do Sul, RS, onde atua como médica. Estudou em Santa Maria e formou-se na Universidade Federal desta cidade em 1971. Desde o tempo da escola dedicava-se à literatura participando de concursos de contos e poesias no Colégio Manoel Ribas, onde tirou primeiro lugar com a poesia Joana. Seus poemas já foram publicados nos jornais locais de várias cidades do estado, na revista SIMERS e na Zero Hora, de Porto Alegre. Seu primeiro livro foi lançado pela Editora Alcance em 2005, intitulado Fragmentos.
Como experiência de vida viveu um tempo na Amazônia, onde morou num barco e conviveu com índios, registrando fatos importantes, executando a medicina e escrevendo sobre as coisas e os sentimentos no meio da floresta.
É sócia da Associação Brasileira de Médicos Escritores, sendo a coordenadora desta entidade no RS. Foi uma das fundadoras da Casa do Poeta Rosariense (Poebras Rosário do Sul) sendo a vice-presidente da primeira diretoria.

FRAGMENTOS

© EZI ASSUMPÇÃO

Deixa eu chorar em paz.
Deixa minha alma
partir-se em mil estilhaços
virar estrelas.
Deixa eu ser mar
maremoto
sopro de brisa
me fazer ventania.


Sou silêncio de tapera
sou riso, lágrimas.
Neste mundo louco
largada.
Sou fragmentos de quimera
sem você
nem que queira
não sou nada.


DIEGO DA SILVA RODRIGUES — Nasci em 1985 em Porto Alegre (RS), e resido atualmente em Juiz de Fora (MG), onde curso meu mestrado em Economia. Costumo dizer que me encorajei a escrever poesias após conhecer uma linda poetisa argentina, de olhos azuis, na estação rodoviária de Montevidéo – o que é a mais pura e simples verdade. De lá para cá, tenho praticado a deslinearização do raciocínio e me surpreendido com a mundeza dos meus sentimentos, que pensava eu, ingenuamente, serem somente meus.

Amores sem pena

de homens sós,
de vidas sem causas,
de esforços em vão,
de palavras levianas,
de noites insones,
de caminhadas solitárias,
de espaços no vácuo,
de torturas internas,
de angústias, enfim.

Amores sem pena
de nada.


© DIEGO DA SILVA RODRIGUES

MARCIA CARGNIN — É natural de Bento Gonçalves, onde nasceu no ano de 1956. Formada em Letras pela Universidade de Caxias do Sul, iniciou suas atividades literárias em 1976, publicando contos na imprensa local. Depois passou a publicar contos e poemas também na imprensa regional. Ao longo dos anos, obteve diversas premiações em concursos literários, tanto em nível municipal como estadual e nacional. Participou em quase duas dezenas de antologias e publicou sete livros: “Espelho Magia Mulher” (poesia, 1990), “Pele a Pele” (conto e poesia, 1994), “Homem-Mulher” (poesia, 1994), “Essas Crianças” (contos infanto-juvenil, 1998), “Crianças” (contos infanto-juvenil, 2000), “Meu Amor, Nosso Amor” (poesia, 2001) e “Haverá um novo amanhecer” (conto, 2003).

DELÍCIAS

© MARCIA CARGNIN

Quando o lençol branco for dilacerado,
quando tuas veias aflorarem o azul do céu,
a paixão violentar teu coração,
o tempo não se importar com o próprio tempo,
o calor da noite não provocar delírios,
o cheiro da relva te parecer um perfume discreto,
o sol cercar o teu hemisfério,
teu mundo te parecer pequeno,
significativo,
o prazer for sentido na sensibilidade de tua pele,
explode menina...
É hora de se fazer mulher.
É tempo que não acaba,
sonho composto de realidade.
Perda do homem no seu equilíbrio.
Batalha quase vencida.
É mulher em tempo hábil.
Semente do acaso nascido.
Um ponto germinado.
São cristais ao vento,
são delícias de verão.


ALSOM PEREIRA DA SILVA — Natural de Rosário do Sul, RS. Advogado (UFSM). Curso de Letras (Faculdade Imaculada Conceição/SM). Corretor de imóveis. Co-autor do livro “Crimes contra a administração pública e sua relação com o processo disciplinar” (Ed. Brasília Jurídica). É vereador, em segundo mandato, em Rosário do Sul. Exerceu vários cargos em diversos setores de atividades, entre eles, professor e diretor do então Ginásio Industrial dep. Ruy Ramos, professor do Colégio Estadual Plácido de Castro, ambos de Rosário do Sul. Foi prefeito de Rosário do Sul em dois mandatos. Secretário Substituto da Secretaria de Estado da Administração e Recursos Humanos do Rio Grande do Sul. Coordenador da Assessoria Jurídica da Secretaria de Justiça e Segurança do Estado do Rio Grande do Sul. Mantém, há mais de 25 anos, um comentário semanal na Rádio Marajá, de Rosário do Sul, da Rede Fronteira de Comunicação. É membro da POEBRAS Rosário do Sul e da Casa do Poeta Riograndense. Em breve deverá lançar seu livro solo sobre Poesia.

POR PARTE

© ALSOM PEREIRA DA SILVA

No mundo,
a gente vai fundo,
mas vai por parte.
A gente vai indo
e até vai sorrindo,
porque tudo é engenho e arte.

MARCELO MOURÃO — Nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1973. É professor de ensino médio, poeta, letrista e romancista. Membro da Academia Brasileira de Poesia e participante do famoso site Alma de Poeta. É efetivo militante do movimento poético carioca na atualidade. É ex-aluno do Colégio Pedro II (1984-1992). No ano de 1991, participou como vocalista do conjunto Atos de Loucura no chamado Brock. Movimento este iniciado na década de oitenta e que revelou grandes bandas como Legião Urbana, Paralamas do Sucesso e Titãs. Lançou-se nessa atividade justamente quando tal estilo musical encontrava-se em sua fase de esgotamento estético e mercadológico. Possui cinco livros ainda inéditos. No ano de 2008, lançará seu primeiro romance intitulado “Quem disse que o amor pode acabar?” e que tem como temáticas centrais o HIV, a Aids e a união sorodiscordante. No ano de 2009 comemorou seus 20 anos de poesia (começou a escrevê-las em 1989), com o lançamento de “O Livro dos Dias”. Este sendo uma coletânea dos melhores poemas feitos desde o início de sua trajetória até o ano de seu lançamento.

LÍNGUA DE FORA

© MARCELO MOURÃO

Que vontade de poder dizer
Tudo o que sinto
Tudo o que vejo
Sem ter nada a perder
Sem perder o ensejo
Que vontade de soltar o verbo
Soltar a bomba e não me esconder
Quantos estilhaços iriam pro ar?
O que iria de fato acontecer?
Que vontade de poder dizer
O que muita gente quer dizer
Mas que evita pra não se comprometer
Que vontade de ajudar o céu a amanhecer!


LEILA INES SIGNOR — É natural de Bento Gonçalves-RS, formada em Turismo, Relações Públicas e Jornalismo. Pós-graduada em Folclore e Educação.
Aposentada do Banco do Brasil. Gosta de cinema, livros e viajar. Participou do volume 8 de “Poesia do Brasil”.

QUOTIDIANO

© LEILA INES SIGNOR
Ontem, eu vi um filme.
Nele, tinha uma cidade antiga.
Haviam casas
Com jardins de petúnias
Uma igrejinha, e em frente, um coreto,
que aos domingos se enchia de sons,
ritmos, alegrias
e pueris donzelas
a passear com garbosos mancebos
Ah! tinha cheiro também...
de... torta de maçã
e biscoitos de gergelim...
Quando sai do cinema
senti o odor intermitente do esgoto
a frieza no olhar do porteiro
e quase fui atropelada por uma moto.


CLAUDETE SILVEIRA — Filha de Avelino da Silveira e Devercina Assis da Silveira, nascida no município de Santa Cruz do Sul em 13/12/1956. Desquitada, 4 filhos, 3 netos (até 2008). Professora Estadual concursada em Língua Portuguesa atuando na rede pública há 25 anos. Primeiro emprego e num período de 3 anos ainda, enquanto concluía faculdade, foi no comércio. Sindicalista durante 20 anos. Escrevo desde menina, infelizmente perdi meus rabiscos em uma mudança. Recomecei e hoje estou publicando em sites, comunidades e agora participando dessa linda antologia. Poetar é um dom. Escrevo porque gosto. Meus poemas sou eu, meus sonhos, meus devaneios.

ASSIM... SOU ASSIM

© CLAUDETE SILVEIRA

Que você me queira assim
Exatamente como eu sou
Por horas, liberta e atrevida.
Às vezes até incontida
De repente insana, mundana,
Desmedida.
Tristonha muitas vezes
Por males dessa vida
Mas feliz, sorridente,
Na maioria das vezes
Para ver-te contente.
De vez em quando mal-criada,
Estressada.
Em outras um doce de educada,
Amada.
De quando em vez silenciosa
Ociosa
Outrora, agitada,
Gata assanhada, desvairada...
Que você me queira assim
Queria estar perto de mim
Queira-me menina-amante-mulher
Só não queira mudar nada em mim.

BIA MARQUEZ — Carioca , nascida sob o signo de capricórnio, é acadêmica do curso de Direito e Letras com especialização em Língua Inglesa. É uma apaixonada por Literatura Medieval, em especial por Romances de Cavalaria tendo como trabalhos já realizados nesta área estudos e pesquisas sobre o trovadorismo medieval. incluindo os mitos e lendas do Rei Artur, os Cavaleiros da Távola Redonda e a Demanda do Santo Graal (Matéria de Bretanha). Através de seus estudos literários e acadêmicos está sempre buscando novas possibilidades que permitam um melhor aprendizado da Língua Portuguesa com ênfase em leitura e produção escrita.. Recentemente foi convidada a integrar a equipe de pesquisadores no Projeto de Iniciação Científica em Estudos Literários Infanto-Juvenis da Universidade Estácio de Sá. Participou da Oficina Literária Cairo Trindade, no Rio de Janeiro, da Antologia Poética “O Labirinto de Espelhos”. e “Antologia Delicatta III - Prosa e Poesia” que terá seu lançamento na 20a. Bienal do Livro, em São Paulo. Está em vias de finalização de seu primeiro livro de poesias. Acredita que uma das melhores formas de conexão com o mundo e tudo que nos cerca é através da poeia como ela mesmo diz: “Quem me dera transpirar letras além de meus poros e de minha razão” Bia Marquez.

ALQUIMIA

© BIA MARQUEZ

No vaso de barro
triturado, amassado,
água se transforma,
é o vinho que transborda:

Alquimia do meu ser !

domingo, abril 11, 2010

ADILIA RIBEIRO QUINTELAS — Nascida a 27 de agosto de 1965, iniciou-se na poesia, aos onze anos, levada pela timidez; na adolescência enveredou pela música, como interprete, tendo participado do Coral da Escola Técnica e grupos de MPB. Bióloga de profissão, chegou a Boa Vista em 1996, onde retomou o caminho da poesia inspirada na cultura e a realidade locais, um mosaico do Brasil, além das belezas naturais muito peculiares. Em Boa Vista a musica e a poesia andaram paralelamente, com participações em festivais, Mostras de Música, como o “Canta Roraima”, realizado pela parceria SESC/Prefeitura de Boa Vista; “Mostra Cultural Macuxi”, realizada pelo SESC com apresentação musical e sarau de poesia, bem como participações na programação da Rádio Monte Roraima com leitura de seus poemas. Reside agora em Florianópolis onde pretende retomar as atividades culturais em breve, assim que seu melhor poema, Isabela, sua filha, permitir.

O BARRO

© ADILIA RIBEIRO QUINTELAS

O barro
O barro vermelho
Recobre os pés e o cabelo
Embota as idéias, que viram pedras

O barro emoldurando as ruas
Barro nas minhas mãos e nas tuas

O barro no vento
Nevoeiro vermelho

No ar confuso tua imagem difusa
Quilômetros de estradas de barro
O carro fica vermelho
Até chegar a ti, tão longe

Sobra a estátua, barro que imita o bronze
Mas se desfaz na chuva
Vira rio de lama
Que fica lá parado, secando
Até virar deserto

Mais um dia de espera
Meus poros duros de barro sufocam
O suor tem que atravessar paredes
Lágrimas, nem pensar

O vento começa a soprar
Vai me cobrir de barro
Até eu sumir
Vou virar parte do chão
Vou ser um fóssil
Memória da solidão


LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA CERQUEIRA — Nascido no dia 28/01/1935 em Monte Serrat, município de Comendador Levy Gasparian, Rio de Janeiro. Premiado em pintura, crônica e poesia, publicou “Solidão das Horas” (1990), “Além da Curva, a Saudade” (1997) e “Quando Houver Nunca Mais” (2002). Participa de 14 antologias poéticas. Verbete no “Dicionário Bibliográfico de Escritores Contemporâneos”, de Adrião Neto; na “Enciclopédia de Literatura Brasileira”, de Afrânio Coutinho e J. Galante; no “Dicionário de Escritores de Brasília”, de Napoleão Valadares; na “História da Literatura Brasiliense”, de Luiz Carlos G. da Costra; em “Literatura: de Homero à Contemporaneidade”, de Ronaldo Alves Mousinho. É membro das seguintes entidades: Instituto de Poesia Internacional, Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal, Academia de Letras e Música do Brasil, Academia de Trovadores do DF, Academia Internacional de Cultura; Instituto Cultural do Vale Caririense (CE), Associação Nacional de Escritores, Associação Filatélica e Numismática de Brasília. Associação Filatélica e Numismática de Santa Catarina, Sociedade Philatélica Paulista e Associação de Cartofilia do Rio de Janeiro. É presidente da Casa do Poeta Brasileiro, Seção DF.

POEMA OP. 79, Nº 15

© LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA CERQUEIRA

Pela manhã, bem cedo, pela manhã
queria abrir a janela do meu dia
e beber um copo de sol nascente.

Pela tarde, bem pela tardinha,
queria fechar a porta do meu dia
e curtir o crepúsculo da sua ausência.

E, quando fizesse noite alta, noite sem lua,
queria descer o cortinado dos meus sonhos
e beijar o seu abraço, morder o seu destino,
buscando-a na saudade da sua presença,
bebendo um copo do seu sorriso.

VANY CAMPOS — Poetisa gaúcha, nascida na Coxilha dos Campos, descobriu-se, assim como Cora Coralina, poeta na maturidade. É ativista cultural em sua terra natal, onde ocorre anualmente uma feira de cultura que leva seu nome. Este evento dá oportunidades aos alunos da rede pública de ensino de participar de um concurso de poesia e terem seus textos publicados em livros. Reside na Cidade de Porto Alegre, com filhos, netos e bisnetos, cercada de amor e carinho. Sua verve poética brota das lembranças vivenciadas em sua infância e de suas experiências vividas, com a alegria e melancolia que permeiam seu coração. Participou das seguintes antologias: “Casa do Poeta Rio-Grandense 43 anos” (Editora Alcance, 2007), “Congresso Brasileiro de Poesia” (Editora Alcance, 2007), “Poetas pela Paz e Justiça Social” (Editora Alcance, 2007) , “Nas Asas da Paz” (Editora Alternativa, 2007), “Poeta, Mostra a tua cara” (2008) e “Poemas à flor da pele” (2008 e 2009).

MEUS VÔOS

© VANY CAMPOS

Sou uma ponte entre Eu
e minhas angustias
Minha alma é um deserto
Entre borboletas azuis
Meu coração grita ternuras
Falarei de meus anseios
E de minhas incertezas
Me debruço sobra a mesa
Procurando respostas
A meus por quês
Penso nas interrogações humanas
Que o tempo não responde
Quero saber onde estou
Vôo nas asas do meu pensamento
E sinto-me parar em ti
És o final de meu vôo
Por quê ?

MÁRCIA BERALDO — É mineira e reside em Campinas/SP. Educadora, casada, dois filhos. Sua maior paixão, além da família, são os livros e a oportunidade de ampliar conhecimentos no contato com os grandes mestres da literatura. Gosta de teatro, cinema, viajar e ler, ler, muito. A leitura é uma alegria e uma fonte constante de enriquecimento pessoal. Acredita na construção de relações mais humanas, com menos desigualdades sociais. Participou da antologia “Poetas do Café” (volume 3), lançada durante o XV Congresso Brasileiro de Poesia pela comunidade do Orkut “Café Filosófico Das Quatro” e do 2 E-book “Poemas à Flor da Pele”. Em sites tem seus poemas publicados nos seguintes espaços: Poetas del Mundo, Arte Comunicarte, Recanto das Letras, Usina das Palavras, Mesa do Editor, Artigos.com, Overmundo, Luso-Poemas e Escrita Criativa.
Seus poemas também estão nos seguintes blogs: Presença Poética:
http://marciapoeta.blogspot.com/ e Educação e Cultura Digital: http://culteduc.blogspot.com/

ESSÊNCIA

© MÁRCIA BERALDO

Simples,
como a brisa
a envolver o poente,
como a terra
a semear o presente.
Ser!

Simples,
como o sol
a embalar a melancolia,
como o mar
a inspirar a nostalgia.
Ser!

Simples,
como a lua
a acariciar a imensidão,
como o fogo
a celebrar a sedução.
Ser!

Essencialmente ser
poesia à Flor da Pele!


IÁRA PACINI — Poeta gaúcha, escreve com leveza os puros sentimentos de sua alma. Membro da Academia Virtual de Artes e Letras de Porto Alegre. Ativista cultural, no mundo da Internet atua também em diversos sites, onde mantém uma rede de amigos artistas e poetas. Participou das seguintes antologias: “Gigantes” (Editora Odorizzi, 2006); “Casa do Poeta Rio-Grandense 43 anos” (Editora Alcance, 2007); “Congresso de Poesia” (Editora Alcance, 2007); “Nas asas da Paz” (Editora Alternativa, 2007); “Pela Paz e Justiça Social” (Editora Alcance, 2007): “Poesia do Brasil” (Volume 6, XV Congresso Brasileiro de Poesia, 2007), “Poeta, mostra a tua cara” (Volume 5, XVI Congresso Brasileiro de Poesia, 2008) e “Poemas à flor da pele” (Editora Grafite, 2008 E 2009).

FLANANDO

© IÁRA PACINI

Vou embora,
contida pelos sopros perdidos,
procurar meu Eu,
deixando a melancolia sem dor,
flanar no etéreo,
vestida em agonia,
que perdi.

Perfumada de saudades,
tudo se esvai,
palavras cansadas,
um dia foram cristal.

Enigmática, minha mente
em flor perdida,
hoje sem vida,
mistério sem limites
se afoga,
transborda,
Nas paredes de um passado maldito...


JORGE DUARTE BARBOSA — Porto-alegrense há 40 anos, graduado em Língua Portuguesa e Inglesa e respectivas literaturas, com especialização em Literaturas da Língua Portuguesa. Professor do Magistério Público e da rede privada. Associado da Casa do Poeta Rio-Grandense. Tem publicações esparsas em jornais e periódicos desde 1976, com artigos sobre Educação, Política, Economia, Arte, além de contos, crônicas e poesia. Participou de quatro coletâneas, a última “NAS ASAS DA PAZ”, pela Alternativa, em 2007. Autor de “SETENTA POEMAS EM BRANCO E PRETO”, pela Edicom, Porto Alegre, 2001; “ESCRITOS ASSIM” (narrativas), pela UCS, em 2004 e “NÃO SOU EU”, pela Imprensalivre, Porto Alegre, em 2007.

NO ATELIER

© JORGE DUARTE BARBOSA

1. — O inseto pirueteia no ar
Engolfa-se em rodeios
Indolente no vôo
Asas aflitas em medeios.

2. — O poeta escreve
Signos na mão
Verte-lhe o sonho
A viagem o trigo o não.

3. — O escultor entre dedos
Fere o ferro modula
Na alma a fuga o dia
Mesa longa da tortura.

4. — Prosseguem os três
Poeta inseto escultor
Na aflição dos seres
Expressando todo o amor.


VANIA GONDIM — Nasci e me criei em Fortaleza, no Ceará de Alencar. Banhos de sol, mergulhos no mar verde vendo velas do Mucuripe, manhãs e tardes na praia de Iracema, coqueiros... tudo isso acalentou meu coração no tempo de minha infância. Ainda bem jovem saí da casa de meus pais, em busca de um grande amor, constituindo família na Serra da Borborema em Campina Grande, momentos felizes a cada por do sol refletido no açude de Bodocongó. Ao concluir o curso de Administração de Empresas, aos vinte e seis anos, já era mãe de dois filhos. Fui trabalhar com avaliação de projetos econômico-financeiros para micro e pequenas empresas, no Estado de Rondônia, e silenciosamente vi muitas vezes madeira descendo o Rio Madeira com os mistérios amazônicos.
Vim para Porto Alegre em 2003, em busca de um transplante bilateral de pulmão para meu filho André. Conquistamos este sonho em outubro de 2008. Dessa espera em hospitais resultou o gosto pela leitura de poesias, pelo fato de ser rápida, reflexiva e prazerosa. O Rio Grande do Sul é um rio Guaíba que desaguou esperanças de futuro em nossas vidas. E ainda, pelo fato do sangue gaúcho agora rolar em nossas veias, tenho a certeza que sou uma Prenda Nordestina, com um desejo enorme de criar e transformar imagens, em palavras com sentimentos, em forma de poesias.

DESPERTAR PARA SONHAR

© VANIA GONDIM

a rosa de minh’alma
precisa da luz do sol
para existir
despertar
para ir adiante com seus sonhos

a rosa de minh’alma
precisa sonhar
para despertar

a rosa de minh’alma
precisa de luz
a luz da alma

MARCIA ARAÚJO — Nasci há 42 anos atrás em Belo Horizonte.Escrevo desde sempre, sobre coisas que me acontecem, que me tocam, que observo... Escrevo sobre sentimentos! Depois de ousar abrir meu baú,onde guardava o que escrevia, no projeto Poeta Mostra a Tua Cara volume 5,coisas aconteceram.... Participei do IV Belô Poético , Encontro Nacional de Poesia. Textos publicados no metrô de Belo Horizonte dentro do projeto Leitura para Todos do programa A Tela e o Texto . Poeta convidada da atividade Momento Poético no Centro Cultural Pampulha. Participei da Noite da Poesia em Divinópolis, como convidada da poeta Léa Lu. Convidada pela Secretaria de Cultura de Bonfim(MG) para participar da 4ªMostra Cultural da cidade. Poesia publicada na 5ª edição dos folhetos "Barkaça"(fanzine de poesia) de Divinópolis. Participação no Projeto Poesia na Praça Sete em 2009 e Antologia Poetas En/Cena,do Belô Poético/2009 - V Belô Poético.

PRAÇA DA LIBERDADE

© MARCIA ARAÚJO

Liberdade das curvas de Oscar
Liberdade de expressão
Liberdade das águas
Liberdade de andar
Liberdade dos pássaros
Liberdade ainda que tarde
Liberdade das lembranças
Liberdade das cores
Liberdade do verde
Liberdade dos amores
Liberdade dos sons
Liberdade do pensar
Liberdade dos estilos
Liberdade das flores
Liberdade de sonhar com a liberdade!


JANETE MALETICH — Nascida no município de Camaquã - RS, em 29 de junho de 1957. Sócia da Casa do Poeta Camaquense desde 1991, quando foi integrante da diretoria e participou da Antologia II da entidade - "Luz, Poesia, Ação". Em março de 2009 retoma sua eterna paixão: a poesia, participando da revista - "Cidade da Poesia", publicação comemorativa aos 20 anos da CAPOCAM. Filha de Dragi e Oratildes, mãe de Aline e Jamile, avó de Lorenzo. Atualmente reside na cidade de Tapes - RS.

CARMA

© JANETE MALETICH

Na amplidão das ruas
de palavras desertas
passeiam corpos vestidos de dramas

Obstinados vão
adormecendo a dor
dos sonhos dispersos

Amordaçados
seguem o compasso
à indiferença
que mora ao lado

(E quem poderá definir a dimensão exata de cada um?)

Alheia a vida
a alma implode

Trago em mim
cada célula destes seres
autômatos, descoloridos

Carrego em mim
todos eles




GISLAINE WACHTER — Bancária aposentada, nascida em Ijuí,RS. Atualmente divido meu tempo entre Blumenau e Balneário Camboriú, SC. Sou uma pintora que gosta de escrever ou uma poetisa que gosta de pintar... Graduada em Gastronomia. Criar em todos os sentidos me deixa feliz Faço parte da CAPPAZ - Confraria Artistas e Poetas Pela Paz.

MEU QUERER

© GISLAINE WACHTER

Eu quero olhar
Teu rosto encantador
E já sentir um calor
E meu corpo estremecer
Na alegria de querer ...

Eu quero ter
De teus braços abertos
O abraço mais certo
Com um aperto gostoso
Prá começar o alvoroço ...

Eu quero ouvir
Da tua boca
A coisa mais louca
Com um belo sorriso
Prá perdermos o juízo ...

Eu quero sentir
Do teu corpo inteiro
Um abalo certeiro
Num encontro de paixão
Todo cheio de emoção ...

Eu quero curtir
Essa vida de alegria
Ser feliz a cada dia
Ter um amor de verdade
Na mais real realidade ....