POETAS DO BRASIL

Blog para divulgar poetas brasileiros e estrangeiros que têm participado das atividades do Congresso Brasileiro de Poesia, realizado anualmente na cidade de Bento Gonçalves/RS, sempre na primeira semana de outubro

sexta-feira, abril 09, 2010

CARLOS GURGEL — sou artista. porque a vida me chama. como um barco que veleja por entre parágrafos e passárgadas. como peça. um anzol. uma promessa se enrodilhando na tábua de mares do rio que corta a cidade. nasci na cidade que briga com o sol. faróis e latrinas. latidos. tetos cascudianos. e meu pai fiando uma bondade como a fala do povo que se veste de noite, e vai para o meio dos retalhos que as suas faces suplicam. escrevo. para não morrer. falo. por volver. uma busca. uma bússola que se lança como gente surrupiando lentes, imagens e sombras. natal nos natais. cantigas nos quintais. uma esmola verbal? um curativo de f(r)ases que vai eletroentrechocando-se na lembrança de que tudo se espatifa. patifaria de verbos e putaria de esgotos. quadrilha que ladra e afana o afeto das pessoas pobres e corriqueiras. frases como uma crase grave que acusa a revolta da página em branco. vômito de sombras, como um volume de poesia que não escuta correção e coração.
uma ruma de sinais. gravetos e desobediência lingual. uma licença pedida entre uma palavra e outra. um lavoura de idéias e boleias carregadas de pára-choques e descobertas. uma coleta de lixo e léxico. como a diáspora de um vapor que pula letras, e ensaia a fala da rua, encorpada pelo eixo de uma multidão de pontos finais. o mundo, parceiro, é uma deselegância de costumes. o que verdura, são as mãos femininas enrodilhadas de tanto querer.

BENDITO É O FRUTO

© CARLOS GURGEL

uma sinfônica cama
sem escrituras
partituras
esquadrias

só você e sua sincronia
minha cura
como eixo que me arde

mesmo mel
o teu véu
osso, caule, flora

poço
como vinho
que me mele

como troça que se vele
como poça que se rele

uma bruma, uma ruma
um gole, uma gola
que rouca rola
viela, bagulho

como tranço, barco
como vela, lanço, o teu beijo
remanso, o teu arco
lança, eu te vejo

o teu corpo me alcança
descansa:
o que você faz na minha janela?

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