POETAS DO BRASIL

Blog para divulgar poetas brasileiros e estrangeiros que têm participado das atividades do Congresso Brasileiro de Poesia, realizado anualmente na cidade de Bento Gonçalves/RS, sempre na primeira semana de outubro

quarta-feira, janeiro 31, 2007



ANGELA MARIA CARROCINO – paulista de Pindamonhangaba, mas criada na cidade do Rio de Janeiro, é professora aposentada do Colégio Pedro II e bastante eclética: além de escritora e intérprete, é artista plástica e pedagoga. Teve sua poesia analisada no livro “Além do Cânone”, de Helena Parente Cunha. Dois livros de poesia publicados: “Tecendo Palavras” e “Tal Pai, Tal Filha”, este uma homenagem póstuma onde publica poemas de autoria de seu pai, além dos seus. Promove o evento poético “Charau – um sarau com chá e charme” no Sindicato dos Escritores do Estado do Rio de Janeiro, do qual é Diretora de Eventos. Escreve também contos, crônicas, livros infantis e ensaios e integra o Grupo Poesia Simplesmente. Fez sua estréia no Congresso Brasileiro de 2006.

GARRINCHA

© ANGELA MARIA CARROCINO

“A primeira vez que vi Tereza
achei que ela tinha pernas estúpidas...”

Manuel Bandeira

Da primeira vez que vi Mané
achei que ele tinha pernas estúpidas,
e custei a crer no que via:
levava a bola no pé
pra todo canto que ia.
Jogava tal qual criança,
com alegria e ingenuidade,
tinha a candura de um menino,
desconhecia a maldade...

Da segunda vez que vi Mané,
sua fã já me tornava,
entre tantos jogadores
só sua presença notava.
Fazia misérias com a bola,
sua companheira fiel,
deixando nos adversários
um gosto amargo de fel...

Da terceira vez que vi Mané,
a vida já lhe castigava:
perdera a candura do menino
e um homem amargo se tornava.
A bola já lhe fugia do pé,
as alegrias para trás ficavam,
os clubes que o disputavam
agora lhe dispensavam...
Driblou tantos vida a fora
que a vida lhe passou rasteira:
tornava-se uma triste sombra,
o ídolo de uma geração inteira!

Da última vez que vi Mané
custei a crer no que via:
mal se aguentava em pé,
do tanto e tanto que bebia...
A ingenuidade de outrora,
que eu tanto admirava,
foi sua real perdição:
entregou-se à bebida
por não aguentar essa vida
de inveja e traição.

Nunca mais eu vi Mané,
mas quando ouço um trovão,
imagino-o lá no céu,
“batendo o maior bolão!!...”

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