POETAS DO BRASIL

Blog para divulgar poetas brasileiros e estrangeiros que têm participado das atividades do Congresso Brasileiro de Poesia, realizado anualmente na cidade de Bento Gonçalves/RS, sempre na primeira semana de outubro

sexta-feira, maio 11, 2007


SHIRLEY CARREIRA — nasceu no Rio de Janeiro, onde vive, e formou-se em Letras, Português-Inglês, pela UFRJ. É Mestre em Lingüística Aplicada e Doutora em Literatura Comparada, pela UFRJ. Fez, também, pesquisa de Pós-Doutoramento na UERJ, na área de Literaturas de Língua Inglesa, focalizando a transculturação na obra de Salman Rushdie, na qual é especialista.
Bastante conhecida pelo seu trabalho em crítica literária, tem publicado ensaios e artigos no Brasil, Portugal, Estados Unidos, México e Inglaterra. Atualmente, é professora e coordenadora do Curso de Letras da UNIGRANRIO, onde também coordena a pós-graduação e edita a Revista Eletrônica do Instituto de Humanidades.
Sua obra poética tem sido publicada em coletâneas, periódicos e sites de poesia. Em 1985, foi premiada no concurso de poesia promovido pela Revista Brasília, com o poema “Claridade”.
Como contista, foi premiada em um concurso promovido pela UFRJ e a Livraria José Olympio, tendo o seu trabalho publicado na coletânea Universitários: verso e prosa, em 1980. A sua produção literária pode ser acessada no site pessoal da autora:
http://www.shirleycarreira.homestead.com


SE EU ME CALAR

© SHIRLEY CARREIRA

Não te espantes se eu calar meu verso;
Com o meu silêncio não te surpreendas.
Comigo mesma vivo em contendas.
Na poesia, reúno e disperso
todos os fragmentos de mim.
Se me calo, eu me preservo.

Não te espantes se eu não deixar rastro,
não te assustes com a minha ausência,
pois, da palavra, a permanência
é retrato preciso de um mundo vasto
que trago dentro de mim.
Se me calo, eu me oculto.

Não te surpreendas se eu me calar,
se eu partir sem dizer adeus,
se este poema parece acenar
com lágrimas dos olhos meus,
cascata caudalosa a escorrer da alma.
Se me calo, ela se acalma.

Ficam os gestos apenas ensaiados,
ficam os poemas mal iniciados,
sombras líricas de algo concreto.
Ainda que não possas lê-las,
Minhas palavras permanecem.
Na noite do meu silêncio,
Elas se tornam estrelas.

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