POETAS DO BRASIL

Blog para divulgar poetas brasileiros e estrangeiros que têm participado das atividades do Congresso Brasileiro de Poesia, realizado anualmente na cidade de Bento Gonçalves/RS, sempre na primeira semana de outubro

sexta-feira, abril 20, 2007


FÁTIMA REGINA BATISTA Administradora, artesã, pintora e poeta amadora. 44 anos, nasceu em Loanda, estado do Paraná. Filha de agricultores, em 1974 mudou-se com a família para São Paulo. Aos 16 anos começou a trabalhar como Auxiliar de Escritório em um Banco. Aos 21 anos entrou para a faculdade São Marcos, onde cursou Letras, com ênfase em Literatura. Aos 28 anos entrou para a faculdade de Administração de Empresas, e em 2003 fez extensão universitária em Custos.Hoje trabalha como administradora financeira em uma multinacional no ABC Paulista, onde também reside.
Poeta amadora, escreve desde a adolescência, e algumas de suas poesias estão publicadas na “Antologia de Escritores Brasileiros” (2ª Edição), “Poesia do Brasil – Volume 3” e “Antologia de Haicais CF4”.
Seus textos podem ser encontrados no site
http://www.soletrando.recantodasletras.com.br
e Poetas Del Mundo
http://www.poetasdelmundo.com/verInfo_america.asp?ID=1306

PRESENTE

© FÁTIMA R. BATISTA

Embalei-me e me entreguei
Fiz-me contente, numa embalagem de presente
— Devolveste-me sem abrir, sem ver o conteúdo
Fez-se mudo, fez-se ausente

De volta, quebrada, dividida
Recolhi os pedaços, recompus
Colei onde foi possível, refiz peça perdida
Num quebra cabeças, no escuro, sem luz

Escondi-me num canto, curei feridas
Sem me importar com cicatrizes, saí
Fui pra rua, não estava pronta, tropecei
Muitas vezes, outras tantas cai

Mas o tempo, meu tempo presente
Traz-me de volta, faz milagres, cura
Minha alma, seca minhas lágrimas
E me recupera, tira-me da loucura

Olho, o sol que se põe, tarde que chega
Vida que vai, vida que vem, presente
Tempo presente, vivo meu presente
Mas não mais me dou de presente.

1 Comentários:

Blogger linfoma_a-escrota disse...

Solta teu espelho com um sorriso,
larga-lhe os pulsos e pinta-o com cores vivas
nas pichagens da alma massajada a gaze,
faz com que delimite vendavais rupturais
de reflexo esbranquiçado como roldana,
convidando cada névoa a vir instalar-se.

Nos vidros partidos não denoto bem
quais conivências convenientes da palavra serão
mais apropriadas para fazer sentires-me em ti,
neste globo de mosaicos despedaçados e
desfeitos em pedacinhos fininhos sem farinha
boiamos apaziguados, marasmos no exagero.

Só as crianças aguardam que a génese dos
pioneiros aconchegados lhes corte as penas,
caso pedinchem por caldo verde ou um Boeing 666
irão ler obstinadas sendo carreiras por heranças,
escrevo a computador burguês porque sorte sou
senão iria cair exausto d’injustiça, incrédulo na arte.

Mas já conheci muito carisma que sofreu d’esforço
mal retribuído, renasceram requintes diamantes,
aliás, mais facilmente mentiroso engravatado, que
consome numa tarde o orçamento de Estado do Zaire,
era capaz de chacinar à distância seus intímos, com
pupila desculpa-dilatada, programado hábito gelado.

Busca o poder para exterminar o pressuposto,
o quotidiano não pode ser usada entropia inflexível
mas sim ninho materno, mesmo num matad’oiro
és sozinho raíz sistémica capaz de desconstruir
a vastidão a que pertences, preferível é fugires antes
que te transformem o interior da partilha espontânea.


in TREPIDAÇÃO/TREPANAÇÃO 2004


WWW-MOTORATASDEMARTE.BLOGSPOT.COM

2:50 PM  

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