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sexta-feira, abril 02, 2010

FRANCE GRIPP (Francirene Gripp de Oliveira) — Nasci em Governador Valadares, MG, em uma rua denominada Castro Alves, e logo descobri o orgulho deslavado de ser esse endereço favorito, marcado pela poesia. A paisagem do vale do Rio Doce, onde primeiro indaguei a ordem íntima das palavras, foi-me pródiga em apelos e afetos. Desde então, o calor e o gelo das paixões assinalaram os desejos, e o que se impõe a ser escrito, tenho tentado. Lá nasceram também outros sonhos, minhas filhas e filhos, as quatro edições luxuosas da literatura de que somente a vida é capaz. Atualmente, resido em Belo Horizonte, onde em 1994 publiquei Eu que me destilo, seleção de poemas. Em 1998, uma pequena ode, Vinte Lições, foi publicada pela Editora Dimensão. E contos, poemas e crônicas participam de coletâneas diversas. Em 2002, recebi um presente precioso, Luanaluz, o disco do compositor Basti de Mattos, em que seis poemas são parceiros de suas belas canções. Fora do expediente literário, leciono leitura e produção de textos em língua portuguesa, com muito prazer, com certeza. Mas quero mais é poesia.

SECO

© FRANCE GRIPP

A primeira chuva, a primeira
traz o poeta e seus desertos calcinados

os sentidos
queimam

os olhos e os desejos do poeta
lá, onde a areia se derrama
e voluteia, mar sem água
inesgotável
burburinho seco
para suas mãos sem asas.

O ser, esse deserto ilhado
ilha imensa, atônita
fustigada
tormentos e ressacas
vozes
impactos, ondas estrondosas
primeiro e último porto
e naufrágio.

2 comentários:

  1. Caro Poeta!!!
    Texto reflexivo e de grande criatividade poética. Versos coordenados que nos levam a nos inserirmos no poema. Muito bom. Parabéns!

    POETA CIGANO - 06/04/2010

    carlosrimolo.blogspot.com
    (Dê-me a honra de sua visita e comentários)

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  2. Anônimo1:21 PM


    Conheço a Rua Castro Alves - era minha passagem ocasional nos tempos da juventude.

    Conheci poetas da Rua... transcrevo versos/realidade de uma poetisa anônima, que, Mãe de 4 filhas, sensível e humana, assim desabafou quando perdeu um genro,

    " Eu tinha um pequeno jardim...
    Regava, revolvia a terra, e cuidada com o olhar!

    Um dia, surgiu uma flor diferente, que cativou um beija-flor lindo
    Quando o vi, corri e instalei um recipiente com água doce, prá atraí-lo

    O beija-flor se arriscou e provou da delicia
    E todo dia, no mesmo horário, vinha se abastecer do açucar

    Corri e plantei 4 pés de rosa, e ele elegeu uma das flores,
    E com exclusividade, a frequentava diàriamente.

    Daí, pensei que o conquistara, e investia afagos e cuidados na rosa eleita...

    Até que um dia, o beija-flor foi embora, e não mais voltou.


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