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sábado, março 17, 2007



EUNICE ARRUDA — Poeta, autora de doze livros publicados, entre eles: “É tempo de noite” (1960), “O chão batido” (1963), “Invenções do desespero” (1973), “As pessoas, as palavras” (1976), “Mudança de lua” (1986), “Gabriel:” (1990), “Risco” (1998), “Há estações” (2003). Presença em antologias, com poemas publicados no Uruguai, França, Estados Unidos e Canadá.
Prêmio no Concurso de Poesia “Pablo Neruda”, organizado pela Casa Latinoamericana, Buenos Aires, Argentina.
Ministra oficinas de criação poética desde 1984. Coordenou os projetos “Tempo de Poesia/Década de 60” em 1995 e “Poesia 96/97”, promovidos pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Por tais iniciativas recebeu o prêmio de Mérito Cultural conferido pela União Brasileira de Escritores/RJ. Em 2005, foi homenageada com o prêmio “Mulheres do Mercado”, concedido pela Casa de Cultura Santo Amaro – São Paulo/SP.


CONSIDERAÇÕES

© EUNICE ARRUDA

não repetir
a palavra

repartir a
mesa farta
ou a nuvem

nas águas
do poço
não evocar
o meu rosto

beber o gosto
das noites ou
o leite da alvorada

e caminhar
lentes crianças
até à montanha

se há luz ou
se há sombra
tudo é ciclo
não morada

enterrar longe
os mortos insubmissos

2 comentários:

  1. Anônimo2:12 AM

    Grandioso e belo.
    :)

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  2. Anônimo2:31 PM

    Teimoso escuteiro obriga-se a ceder
    e despertar para o parto da clorofila,
    é ridículo recear porque não a poderá comprar e
    só a ironia te caracterizará as estrias empenadas.

    Já ninguém liga meia à saliva que se aloja
    no sibilar direito da tua boca blasfema,
    deixa escorrer e alagar o campo de críquete
    por estrear na recepção aos tolo-poderosos.

    Massacraria, com tempo de vida ameaçado
    e seus discursos em estereofonia, cada
    genocida imperturbável na inventada demanda
    sem descanso pela invasão do escuro na leveza.

    Nunca lhes daria codeína, nem protecções
    enunciadas escritas por advogados-cúbicos,
    mas gramas estratégicas de benzidrina para o
    manter acordado com os orfãos dos executados.

    Agora pequeninos psicopatas mal-tratados,
    uns por ciclópticas facilidades, outros por
    bastardas dificuldades, também têm família que
    semeará vingança em honra do amado fuzilado.

    in QUIMICOTERAPIA 2004

    WWW.MOTORATASDEMARTE.BLOGSPOT.COM

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