POETAS DO BRASIL

Blog para divulgar poetas brasileiros e estrangeiros que têm participado das atividades do Congresso Brasileiro de Poesia, realizado anualmente na cidade de Bento Gonçalves/RS, sempre na primeira semana de outubro

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Nome: Ademir Antônio Bacca
Local: Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul, Brazil

poeta, escritor, contista, jornalista, atuando atualmente como produtor cultural

Quinta-feira, Março 20, 2008

POETAS PARTICIPANTES DO VOLUME 7
DA ANTOLOGIA OFICIAL
DO XVI CONGRESSO BRASILEIRO
DE POESIA
67 poetas - 408 páginas - 4.500 exemplares

Adélia Maria Woellner • Ademir Antonio Bacca • Afonso Estebanez • Aidenor Aires • Alain de Paula • Ana Luiza Kaminsky • Ana Mari Tedeschi • Andréa Motta • Angela Carrocino • Angela Togeiro • Arlete de Castro • Artur Gomes • Assis de Mello • Bella Clara Ventura • Célia Arantes • Chico Araújo • Chris Herrmann • Cláudia Gonçalves • Concha Rousia • Dalmo Saraiva • Débora Novaes de Castro • Deisi Perin • Delayne Brasil • Ednilson de Paulo • Eliane Justi • Elizabeth Britto • Enise Carone • France Gripp • Geraldo Coelho Vaz • Gustavo Schramm • Haidê Vieira Pigatto • Hugo Pontes • Jacob Armando Selbach • Jacqueline Bulos Aisenman • Jiddu Saldanha • Jorge Miranda • Karla Julia • Laura Esteves • Lenise Marques • Leo Lobos • Lourdes Sarmento • Lúcia Gonczy • Lucy Reichenbach • Luiz Fernando Prôa • Marçal Filho • Marisa Vieira • Marko Andrade • Nelson Figueiredo • Oscar Bertholdo (in memoriam) • Paulo Renato Rodrigues (in memoriam) • Paulo Roberto Karam • Paulo Walback Prestes • Renato Gusmão • Ricardo Sant’Anna Reis • Rodolfo Muanis • Rodrigo Mebs • Rogério Santos • Ronaldo Werneck • Rubens Venâncio • Silvio Ribeiro de Castro • Suely de Freitas Martí • Sylvio Magellano • Telma da Costa • Tonho França • Valtencir Gama • Veneranda Pedroza • Walnélia Pederneiras •

POETAS PARTICIPANTES DO
VOLUME 8
DA ANTOLOGIA OFICIAL DO XVI
CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA
85 POETAS - 516 PÁGINAS - 5.500 EXEMPLARES

Abílio Terra Júnior • Ademir Antonio Bacca • Afonso Estebanez • Alan Romel • Alba Albarello • Alzira Dorneles Bán • Amanda Petzhold • Andréa Lucia Barreto Guarçoni • António Soares • Áurea Miranda • Benedito C. G. Lima • Benvinda Palma • Bernardethe G. Zardo • Bia Marquez • Bilá Bernardes • Celso Afonso Tabajara • Chico Araujo • Claudete Silveira • Claudia Almeida • Cláudia Gonçalves • Cláudio Cardoso • Clevane Pessoa • Delasnieve Daspet • Doroty Dimolitsas • Fátima Borchert • Fernanda Frazão • Flacast • Gê Fazio • Gil Veiga • Gloria Dávila • Guilherme Mossini Mendel • Heliane de Azevedo • Henriques do Cerro Azul • Iára Pacini • Ietive Fianco D’Arrigo • Ilda Brasil • Irem Toal • Isnelda Weise • Ivy Menon • JJ de Oliveira Gonçalves • Jacqueline Bulos Aisenman • Jaime Katz • Jane Pimentel • Jorge Duarte Barbosa • José Aparecido Krichinak • José do Carmo Ligeski • Joyce Lima Krischke • Jussara Custodia Godinho • Leila Ines Signor • Ligia Leivas • Luh Oliveira • Lúcia Gonczy • Luiza Porto • Marcelo Mourão • Márcia Beraldo • Márcia Cargnin • Maria Clara Segóbia • Marilene Caon Pieruccini • Marilú Duarte • Marino dos Santos • Mayara de Paula • Meyre Carvalho Marques • Neuza Bandeira Wolff • Olivia Paz • Rafael Bán Jacobsen • Raquel Martinez • Regina Lyra • Régis Antonio Coimbra • Remy de Araújo Soares • Ricardo Carvalho • Rosa Maria de Britto Cosenza • Roziner Guimarães • Safira Conovalov • Sandra Almeida • Silvia Benedetti • Sonia Maria Grillo • Soninha Porto • Stella Mello • Suely de Freitas Marti • Val Bomfim • Val Rocha • Valdeck Almeida de Jesus • Vany Campos • Verluci Almeida • Walnélia Pederneiras •

CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA
RETOMA PROJETO
“POETA, MOSTRA A TUA CARA”

No ano em que realiza a sua décima sexta edição, o CONGRESO BRASILEIRO DE POESIA retoma o projeto “POETA, MOSTRA A TUA CARA”, destinado à divulgação de poetas de todo o Brasil e que será lançado durante a programação oficial do evento, que acontece na cidade de Bento Gonçalves entre os dias 6 e 11 de outubro de 2008.
Na primeira fase do projeto, foram publicados quatro volumes da coleção, divulgando 120 poetas. O projeto deste ano prevê a publicação do volume 5, com 40 participantes, no formato pocket (11cm x 18cm) e cada poeta participará com 3 páginas, uma contendo foto e biografia e duas com poemas.
O projeto “POETA, MOSTRA A TUA CARA” será coordenado por Ademir Antonio Bacca, Cláudia Gonçalves e Soninha Porto e a antologia será lançada na noite do dia 10 de outubro, dentro da programação oficial do XVI CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA.

POETAS QUE JÁ CONFIRMARAM
SUA PARTICIPAÇÃO NA ANTOLOGIA
“POETA, MOSTRA A TUA CARA - Volume 5”

Abel Santos de Araújo • Ademir Antonio Bacca • Adilia Ribeiro Quintelas • Afonso Estebanez • Alex Barros • Alison Seben • Álvaro Santestevan • Amélio Henika • Ancila Dani Martins • Andréa Lucia Barreto Guarçoni • Artur Gomes • Assis de Mello • Badu Santos • Basilina Pereira • Cassia Morais • Catulo Fernandes • Celino Leite • Celso Afonso Tabajara • Chico Araujo • Christiane Donato • Claudete Silveira • Claudia Almeida • Cláudia Gonçalves • Cláudio Cardoso • Concha Rousia • Doroty Dimolitsas • Ednilson de Paulo • Erotildes Citrini • Esther Fujisawa • Fátima Borchert • Fátima Mello • Fernanda Frazão • Flávio Flacast • Francisca Izabel de Farias • Gil Veiga • Gloria Dávila • Helena Lins • Hugo Pontes • Iára Pacini • Irem Toal • Jacqueline Bulos Aisenman • Jiddu Saldanha • Joana Darc • Joel Luis Carbonera • Jonatas Luis Maria • Jorge Miranda • Juliana Soares • Jussara Custódia Godinho • Lea Peres Day • Lilian Zieger • Lúcia Gonczy • Marçal Filho • Márcia Araújo • Marcia Cristina Simões • Mardilê Friendrich Fabre • Mari Regina Rigo • Maria Clara Segóbia • Maria Santos Rigo • Marisa Ly • Marisa Vieira • Meyre Carvalho Marques • Nina Araújo • Onélio Lopes Chagas • Orlando Pinheiro • Paola Caumo • Renato Gusmão • Ricardo Carvalho • Ricardo Mateus • Ricardo Reis • Roger Tavares • Rosangela de Oliveira Santos • Sandra Almeida • Soninha Porto • Suely de Freitas Martí • Suzette S. Sozinho • Terezinha Manczak • Vany Campos • Verluci Almeida • Walnélia Pederneiras •

GEAN QUEIROZ — poeta e ator, nascido em Roraima, reside no Rio de Janeiro, onde coordena o evento cultural multimídia "versos da meia-noite". Tem dois livros publicados, "fúria, pólvora e escracho" e "um macuxi na escandinávia". Prepara atualmente o lançamento de sua nova obra, "o livro dos excessos".

poemas de seda

© GEAN QUEIROZ

corredeiras de versos
derramam-se pelas ladeiras de santa teresa
longas línguas em largos de letras
iluminados por uma lua ardente
artistas ferozes atiram suas armas no infinito
enrolados em serpentes
envolvidos por amores embriagantes
sedentos seres uivantes
abrindo-se na luz do grito
os gestos, o olhar, a festa, o mito
prata de noite absoluta
verdades, delírios, encontros
descendo pelas ruelas acesas
no tempo inacabado das horas despertas
tanta luz
escuridão alerta
sentimento vivo
sem fim
sem destino
sobreviventes seguros de suas incertezas
transitando pelas ruas da lapa
com seus poemas de seda
guerrilheiros de utópicas conquistas
condenados a uma inspiração divina
que não os deixará dormir nunca
antes que a lua cheia desapareça de vista
e o amor se espalhe em seus colchões de vísceras


DANI MORREALE — vive em Belo Horizonte. Tem 23 anos mas arrisca escrever como gente grande. Faz poesia desde sempre. Atualmente prepara seu primeiro livro de poemas e tem se destacado também como letrista de canções. Sua poesia não segue nenhuma escola. Transita entre as tradições e linguagens com a desenvoltura de um pássaro solto no espaço.
Dani ainda desenvolve projetos de poesia visual e audiovisual. Está produzindo o curta "Nossa Sem Hora", rodado na Igreja de São José e na Avenida Afonso Pena – centro de Belo Horizonte.

MINHA POESIA

© DANI MORREALE

Minha poesia não é afiada.
Não despedaço em fatias.
É peça de mim inteira.

Minha poesia não é de concreto.
Não construo em pavimentos.
Soa alto-falante do meu silêncio.

Minha poesia não são sonetos.
Não há sons nem duetos.
Acerto e reboco um bocado de consertos.

Minha poesia não é marginal.
Não entra em cena.
Não cheira sangue.
Sangra pra dentro.

Minha poesia não é de vanguarda.
Despede da hora.
Esquece o agora.
Não lembra nem profetiza nada.

Minha poesia é péssima notícia
da humana-idade que sufoca
no jornal do escuro desta cidade.

Uma chave para estrada.
O volante para escada.
Uma porta para entrada.

Não uso régua para dar passos
Não uso absinto para traçar faros.
Piso errado no asfalto.
Cheiro o abismo no travesseiro.

Troco o bem pelo mal.
Toco o amor no ódio.
Sufoco meus recortes de anseio.
Invoco meu dons.

Sem receio
crio poesia sem o meio
de qualquer dedo.

POLÍBIO ALVES — nasceu em João Pessoa. É ficcionista e poeta. Cidadão carioca, participou do Suplemento Literário da Tribuna da Imprensa, anos 60/70. Publicou: “O Que Resta dos Mortos”, contos, e 2ª edição (“Lo Que Que de los Muertos”, cuentos, Editorial Arte y Literatura, La Habana, Cuba), “Varadouro”, poesia e 2ª edição (“Varadouro – Nacimiento de uma Ciudad”, poesia, Editorial Arte y Literatura, La Habana, Cuba), “Exercício Lúdico: Invenções & Armadilhas”, poesia, E “Passagem Branca”, poesia. Tem trabalhos em antologias e periódicos nacionais, EUA, Itália, Alemanha, Portugal, Argentina e Cuba. É ainda, verbete da Enciclopédia de Literatura Brasileira, de Afrânio Coutinho e J. Galante de Souza.
Detém alguns prêmios literários. Dois internacionais: “Autore dell’Anno”, 1999, pela Edizione Universum, Trento, Itália, e “Personalidade Cultural Internacional” da UBE/RJ. Placa em bronze do poema “Varadouro” na praça Antenor Navarro; Medalha Poeta Augusto dos Anjos, pela Assembléia Legislativa da Paraíba e Comenda Cidade de João Pessoa.
Atualmente reside na Paraíba.

Essa sede é turva
olho d’água
de beira das estradas,
tem gosto de ferrugem,
embora minha fome
seja lenta,
passa,
maltrata,
não me mata.

Na carcaça do meu ventre
planta-se rubra tatuagem
que habita tua voraz boca,
ensilando para sempre
nódoas de nicotina.
Incógnita nenhuma.
Só o repulsivo fascínio
a nublar a febre dos pesadelos.

© POLÍBIO ALVES

MARLENE CAMINHOTO NASSA — nasceu em Santa Cruz do Rio Pardo, mas criou-se em Botucatu, no Estado de São Paulo. Separada, mãe de 3 filhos, tem 2 netinhas.
Formada em Artes Plásticas, Desenho, História da arte e Arte dramática, fez Mestrado em Educação e está concluindo o curso de Direito.
Roteirista de teatro e de cinema, artista plástica, jornalista, colunista social e política por muitos anos, ativista cultural, poetisa e escritora, foi Diretora do Museu Histórico e Pedagógico Francisco Blasi, Professora e Diretora de Cultura Universitária.
Detentora de muitos prêmios literários e de artes plásticas, participante de inúmeros salões,obtendo o Prêmio Governador do Estado de Teatro Amador, como melhor atriz, com o grupo GATA, da UNESP.
São de sua autoria os desenhos do Calendário Oficial dos 450 anos da cidade de São Paulo e de vários outros, indicados a prêmios internacionais.
Lançou um livro de contos, “Catança”, na última Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

REENCANTAR O OLHAR

© MARLENE CAMINHOTO NASSA

Tu querias reencantar o teu olhar,
E pensando em poder te ajudar,
Aos teus olhos de menino,
Um colorido eu quis dar.
Mas, dentro de mim,
Quando as cores eu fui buscar,
Tomei-me de espanto
Eu estava vazia!
Sem cor e sem encanto...
Só aí fui dar-me conta,
Que as cores e a alegria,
Eu colocava todas na poesia
E ficava desse modo,
Cada dia, mais vazia!

Segunda-feira, Março 03, 2008

ANTONIO MIRANDA — Antonio Miranda é poeta e romancista.
Professor da Universidade de Brasília, tem seus textos publicados e apresentados em teatros de diversos países, e em várias línguas.
Seus livros mais conhecidos são “Tu País está Feliz” (em português e em espanhol), “Per Ver Sos”, “Retratos e Poesia Reunida” e “Despertar das Águas”.
Seus poemas também podem ser lidos na Internet:
www.antoniomiranda.com.br

DEBAIXO DA PELE

© ANTONIO MIRANDA

Sobre a pele
outras peles
como armaduras;
sob a pele
outras peles
como tessituras
indeléveis.

Como camadas
no solo ermo
de cebola ardida:
uma inscrição
inconformada.

Quem é que habita as profundezas
do ser? Com certeza é outro
na superfície mais externa
de sua conformidade.

É-se o quê? Sujeito a que desígnios?

Vestir-se
de todas as peles, fantasiar-se
e desvestir-se de véus
como lâminas
acesas.

Sujeito.

Todos os que fomos
sobrevivem em nós
ostentando perdas e ganhos.

ISNELDA WEISE — Isnelda Weise nasceu em Ibirama (SC) e atualmente vive em Blumenau (SC). Formada em Direito e em Letras, pela FURB, escreveu seus primeiros poemas ainda na infância, sendo que atualmente vem se dedicando ao estudo e práticas do soneto e do haicai.
É membro da Sociedade dos Escritores de Blumenau, da Sociedade dos Poetas Advogados de SC e participa como consulesa da entidade Poetas Del Mundo. Tem textos publicados na antologia “Prosa & Verso” I, II, III e IV e na antologia “Um Rio de Letras” II e III. Participa do Projeto Pão e Poesia da FCB, publicando ainda em jornais, revistas e murais e também em sites da Internet e blogs.
Seu primeiro livro solo, “AguAlento”, nasceu dentro da Universidade com o texto que dá nome ao livro. A obra é uma coletânea de poemas breves, com os quais a poeta reinicia um ciclo de sua vida interrompido quando das cheias do rio Itajaí-Açu, em 1983, ciclo este que terá continuidade com a publicação de sonetos, haicais e outros poemas, já em elaboração.

ÁGUA DE MARÇO

© ISNELDA WEISE

Quando em cascata se solta
Água é qual salto sem rede
Vida que nem sempre volta
Queda a fartar quem tem sede.

Água é anistia de pecado
Córrego a irrigar nossa alma
Quando o coração extenuado
Pede o frescor de água calma.

Água de março é cacimba
Riacho cantante na forma
De oásis a sonhar fonte infinda.

E acima da fugaz sobrevida
Prossegue entre pedras, contorna
Lavando a mão que a trucida.

HERBERT EMANUEL — Herbert Emanuel nasceu na cidade de Macapá, no Estado do Amapá, no dia 20 de Fevereiro de 1963. Mudou-se para Belém no final de 1976, ali residindo até 1988. A maior parte de sua formação escolar e literária deu-se nessa cidade. Formado em Filosofia pela UFPA, em 1987. Em 1989, ministrou as disciplinas Filosofia da Educação I e II, no antigo Núcleo da Universidade Federal do Pará, em Macapá. Dez anos depois, lançou seu primeiro livro, intitulado “Nada ou quase uma Arte”, com apresentação do poeta gaúcho Carlos Nejar. Em 1998, lançou, em parceria com o artista plástico e mímico Jiddu Saldanha, Cartões Poéticos. Alguns poemas seus estão incluídos na Antologia Poética Poesia do Grão-Pará, 2001, com seleção e notas de Olga Savary. Em 2006 lançou o livro “Do Crepúsculo ao outro dia”, em parceria com o poeta e artista plástico Jiddu Saldanha. Possui artigos publicados em vários jornais sobre temas artísticos, literários, filosóficos e culturais. Atualmente, está preparando 3 (três) livros de poemas, intitulados “ISTO”, “RES” e “DESASPEREZAS”, e um livro de ensaios, “Guarda-chuva Paradoxal”.

talvez
não importe
tanto azul
assim
para que dezembro
te encha

vale esperar
pelos dias
de sol

na calçada
a noite
se acende

dentro
o branco
hálito da cor

* do livro inédito Desasperezas

© HERBERT EMANUEL


BERNARDETHE GHIDINI ZARDO — Bernardethe Pierina Ghidini Zardo nasceu em Nova Prata/RS, filha de Arthur e da poeta Ophélia Sander Ghidini. Casada com Remos Vitório Zardo (in memoriam) com quem teve dois filhos: Alessandro e Rodrigo. Graduou-se em Educação Artística pela Universidade de Caxias do Sul (UCS). Cursou pós-graduação em Folclore na Faculdade de Música Palestrina de Porto Alegre, e em Filosofia Prática na UCS.
Profissional da área da educação artística, com 30 anos de experiência nas áreas de alfabetização para 1º e 2º graus e educação para adultos, agregou estudos à postular, de forma ativa e dinâmica, práticas diferenciadas e fundamentações sobre o processo de construção do conhecimento na Educação — Formação do Sujeito e suas Interatividades no Social. Impulso este, sempre renovado, culminando, nos últimos sete anos, em engajamento e aprofundamento científico-filosófico nas áreas da Filosofia, Estética, Poética, Literária, pelo resgate do ser humano pelo paradigma ético-estético, transformadores da alma humana, sob um prisma a ser integrado.
Integrante da Academia Caxiense de Letras, onde ocupa a cadeira 31, participou da “Antologia da Festa da Uva” (2002), do Caderno Literário “Pai” (2004). Criou diversas capas de livros e participou de exposições coletivas de arte.


O DIA SE FEZ BORBOLETA

© BERNARDETHE GHIDINI ZARDO
Sarah cochicha com as florinhas
no seu secreto jardim,
um palácio de imagens mutantes
sem paredes de vidro, sem flores de cetim.

Corre atrás da borboleta amarela
que corre atrás da queixosa flor
saudando o tempo grisalho
as duas correm atrás do amor.

Brincam de esconde-esconde
abrindo passagem na rica flora
encontram-se ao meio-dia
quando se abrem as onze-horas.


Onze horas de amor
no meio do dia sem sombras
mil desoras espalhadas
vestem o corpo da alfombra.

As horas mortas renascem
no jardim das sempre-vivas
alimentando a borboleta amarela
o perfume da flor cativa.

Sarah sente-se viva
correndo atrás das borboletas
longe dos grilos falantes
correndo atrás da sua mágica luneta.

Parece seu olho sair do corpo
quando olha o jardim através da luneta
vê seu retrato na flor do tempo
com cerúlas asas de borboleta.

O que sabe não mais sabe
diante da natureza que o belo cria,
onde se arrasta a lagarta
nascem flores todos os dias.

Silenciosa linguagem desperta
a alma dos seres alados
viajando pela noite dos tempos
Sarah carrega todos os fados.

O dia se fez borboleta
para que a noite possa ser bela,
uma noite cheia de estrelas
é um jardim de borboletas amarelas.