
VERGETAIS
© RONALDO WERNECK
face a face
a alegria
da verde alface
rotundos
brilhantes
pesquiso
a poesia
do pálido palmito
sobre a mesa
descubro
a selvagem
tristeza
do tomate rubro
Blog para divulgar poetas brasileiros e estrangeiros que têm participado das atividades do Congresso Brasileiro de Poesia, realizado anualmente na cidade de Bento Gonçalves/RS, sempre na primeira semana de outubro
poeta, escritor, contista, jornalista, atuando atualmente como produtor cultural




RETRATO DO BRASIL
© DANI BALEEIRO
Mendigo na rua
Companheiro do lixo da classe privilegiada
Quem é ele? Lixo da sociedade desmentalizada?
Produto em série do capitalismo acelerado
Classe, marginalizada
Nulidade é seu código de barra
Linha, a libertinagem
Liberdade de escolha
Morrer de fome?
Roubar? Matar? Surtar?
Surta em seus devaneios frenéticos
Da janela, mera fotografia
Quem passa ignora
Cachorro sem dono,
Filho da mãe ou coitado
Seu discurso é o retrato falado
Sua vida, a sobra da opulência niilista
Sua voz... Hein?
O que é mesmo que eu estava dizendo?
Psiu... shshshshs
Vai começar mais uma novela no horário nobre
Saia da janela
O programa é novo
Alguns atores se repetem
Os figurantes são sempre os mesmos
A trama é previsível
O romance anti-heróico
E o retrato do Brasil
Continua ali... na calçada
DELASNIEVE DASPET — Delasnieve Miranda Daspet de Souza é sul-mato-grossense de Porto Murtinho, onde nasceu e cresceu em meio à exuberante natureza que é o Pantanal do Mato Grosso do Sul, Brasil, residindo em Campo Grande-MS. Casada, tem dois filhos. É poeta, cronista, faz trabalho social com menores carentes. Professora, Educadora, Ativista Cultural e Ambiental, pertence a várias associações literárias e culturais nacionais e internacionais. É a Embaixadora para o Brasil do “Poetas del Mundo”
CANÇÃO PARA NINAR A PAZ
© DELASNIEVE DASPET
Não sonhar é estar morto.
Não alimentar paixões é encontrar-se perdido
Pelos caminhos.... São as paixões que nos aliviam as tensões
Que definem nossos interesses.
Cada pessoa tem a sua, e são elas que traçam os rumos
De nosso caminhar.
Ninguém tem o direito de julgar
Sobre as paixões que nos consomem...
Apaixonamo-nos por valores, por pessoas,
Cada um segue seu caminho
Conforme sua capacidade e vontade!
A paixão — este estado incoerente!
Melhor seria se paixão e razão andassem juntas,
Com prudência e paciência...
Paixões fáceis e tentadoras
Tão difícil largá-las...
Tão difícil abraçar — firme e decididamente —
Quem ilumina nossa vida, alimenta nosso ser,
Acaricia nossos pensamentos, perfuma com flores nosso andar...
Paixões que causam conflitos,
Dores, guerras, fome, miséria, violência,
Paixões que nos cegam e nos transmutam
Em vilões da Humanidade,
Que desestruturam a família,
Que queimam florestas, que poluem os rios,
Que agridem a Terra, que matam tantas crianças,
Que tornam tantos indigentes e deixam o Urso Polar sem lar!
Paixões!....
E se nos apaixonássemos por nós, irmãos desta senda?!
Se nos amássemos mais, teríamos um Mundo mais sensível,
Celebraríamos a Páscoa definitiva!
E passaríamos da violência para a Paz,
Da guerra para o amor, do ódio ao perdão,
Da desigualdade para a comunhão....
E não haveria lágrimas, e não haveria dor,
E não haveria violência...
Nem João Hélio morreria, muito menos as Marias...
Nem as flores murchariam,
Nos pratos teríamos comida,
Nos postos os médicos atenderiam,
Na favela existiria o direito de sonhar,
A divisão seria eqüitativa,
Os políticos... estes não seriam necessários...
Corresponderíamos ao grande amor que herdamos,
Sem egoísmo os elos seriam reatados, e,
Resgataríamos a aliança de amor e salvação...
É um sonho que sonho, é um sonho que vivo,
É uma semente que planto todos os dia da vida
É um canto que sangra numa canção para ninar a Paz!

ANTOLOGIA EM PROSA
Participantes:
Ademir Antonio Bacca • Ana Carolina Martins da Silva • Angela Togeiro • Fernanda Frazão • Haidê Vieira Pigatto • José Mendonça Teles • Marcos Zeri Ferreira • Marilu Duarte • Políbio Alves • Remy de Araújo Soares • Roberto Stavale • Rosa Maria Britto Cosenza de Oliveira • Sandra Falcone • Stella Mello • Suely de Freitas Martí •

ANTONIO LÁZARO DE ALMEIDA PRADO — nasceu em Piracicaba, em outubro de 1925. Poeta, ensaísta, tradutor e jornalista, é Doutor e Livre-Docente em Língua e Literatura Italiana pela Universidade de São Paulo, onde lecionou de 1953 a 1958.